Elena Rybakina, número dois do ranking mundial, tomou uma decisão radical que está a agitar o ténis feminino: desactivou a sua conta de Instagram, depois de ser alvo de uma torrente de mensagens de ódio na sequência da sua surpreendente eliminação precoce no Queen’s Club Championships. A tenista do Cazaquistão, uma das figuras mais mediáticas do circuito WTA, confessou que o ataque virtual foi demasiado intenso para ignorar, optando por cortar o acesso às redes sociais numa altura crucial da temporada. Esta atitude levanta questões sérias sobre o impacto da pressão digital nos atletas de topo e expõe uma faceta obscura do desporto moderno onde o ódio online ultrapassa todos os limites.
Rybakina saiu derrotada frente à britânica Katie Boulter, que, impulsionada pelo apoio do público em casa, garantiu uma reviravolta em três sets e avançou para as meias-finais, deixando para trás a principal favorita à vitória. O choque foi grande: Rybakina, vencedora de Wimbledon e tida como uma das melhores jogadoras em relva, falhou o acesso à próxima fase depois de um triunfo difícil sobre Tatjana Maria. A derrota não só custou caro em termos de ranking e confiança, como desencadeou uma avalanche de críticas e insultos nas redes sociais, muitos deles provenientes de apostadores desiludidos com o desfecho do encontro.

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O episódio ganha ainda mais relevância tendo em conta o contexto actual do ténis feminino, onde a exposição mediática e a dependência das redes sociais são cada vez maiores. Para além de serem plataformas essenciais para comunicação com adeptos e patrocinadores, as redes sociais tornaram-se também uma fonte de rendimento para muitas jogadoras. No caso de Rybakina, a pressão é acrescida pelo estatuto de estrela e pelos resultados consistentes nos grandes torneios, que a colocam constantemente no centro das atenções – e, infelizmente, também na mira dos críticos mais ferozes.
Durante a antevisão do torneio de Berlim, onde irá competir como segunda cabeça-de-série, Rybakina explicou aos jornalistas os motivos da sua decisão. “Normalmente não ligo muito [às redes sociais], mas desta vez foi demais”, afirmou, visivelmente abalada. “Como faz parte do nosso trabalho, temos de publicar bastante. E senti que, se estas pessoas não conseguem parar só porque perdi um jogo, prefiro não lhes dar a oportunidade de comentar.” A tenista foi mais longe e acrescentou: “Não quero passar o dia inteiro a limpar o meu Instagram. Tenho pessoas que me ajudam, mas não estão sempre disponíveis. Achei que seria melhor afastar-me das redes sociais. Para mim, é tranquilo ficar longe das redes sociais.”
Estudos recentes demonstram que grande parte das mensagens de ódio dirigidas a atletas provém de apostadores frustrados, que procuram culpados para justificar apostas perdidas. No caso de Rybakina, a sua derrota enquanto favorita serviu de pretexto para um ataque particularmente virulento. Este fenómeno, infelizmente, não é inédito no mundo do desporto, mas ganha contornos preocupantes quando leva atletas de elite a afastarem-se de plataformas essenciais para a sua carreira e imagem.
Depois de triunfar no Stuttgart Open em terra batida, batendo Karolina Muchova na final, Rybakina não conseguiu manter o mesmo nível competitivo. Saiu nos oitavos-de-final em Madrid, caiu nos quartos-de-final em Roma e foi surpreendida logo na segunda ronda de Roland Garros por Yuliia Starodubtseva, num dos maiores choques da edição deste ano. Estes resultados aquém das expectativas aumentaram a pressão sobre a cazaque, que apostou numa participação plena na temporada de relva para recuperar forma antes do Wimbledon, onde já foi campeã.
A próxima etapa é Berlim, onde Rybakina terá nova oportunidade de mostrar o seu valor, num quadro repleto de nomes sonantes como Aryna Sabalenka, Jessica Pegula, Coco Gauff e Elina Svitolina. O objectivo é claro: reencontrar o melhor ténis, afastar-se do ruído digital e preparar-se para atacar novo título em Wimbledon. O afastamento temporário das redes sociais poderá ser um passo fundamental para recuperar o foco e blindar-se contra a negatividade externa, numa altura em que a pressão sobre as estrelas do ténis nunca foi tão intensa.
Com o arranque do torneio de Berlim, todas as atenções estarão viradas para a resposta de Rybakina, tanto dentro como fora do court. Se conseguir transformar esta adversidade em motivação, a ex-campeã de Wimbledon poderá não só silenciar os críticos, mas também inspirar outros atletas a priorizarem a saúde mental face ao ódio online. O desfecho desta história poderá ditar não só o rumo da sua temporada, mas também abrir um debate urgente sobre o papel das redes sociais no desporto de alto rendimento.
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