A polémica voltou a incendiar o ambiente no futebol europeu: antes do jogo da Liga dos Campeões entre Atlético de Madrid e Barcelona, um grupo de adeptos do Atlético protagonizou um episódio chocante ao entoar cânticos racistas e xenófobos nos arredores do estádio blaugrana. Este incidente não é novidade, mas ganha nova dimensão numa altura em que a UEFA e FIFA reforçam a luta contra o racismo no desporto.
Nas imediações do Camp Nou, a atmosfera foi marcada por um coro perturbador: “Quem não salta é muçulmano”. Esta frase, que já tinha desencadeado um inquérito da FIFA à federação espanhola devido à sua natureza ofensiva e discriminatória, voltou a ecoar alto e claro, mostrando que o problema ainda está longe de ser erradicado.
Este tipo de cânticos ultrapassa o limite do mero apoio à equipa e entra no terreno perigoso da promoção do ódio e da intolerância. A utilização de estereótipos e a associação de religiões com provocações violentas revela um preocupante retrocesso social que mancha a imagem do desporto rei.
A federação espanhola, já sob escrutínio da FIFA, está agora numa posição delicada, pois as autoridades internacionais esperam ações concretas para erradicar estes comportamentos. O silêncio ou a passividade perante este tipo de manifestações podem resultar em sanções severas, prejudicando não só as equipas, mas o futebol espanhol como um todo.
A UEFA, por sua vez, tem reforçado as suas políticas anti-racismo, aplicando multas, jogos à porta fechada e até exclusões de competições para clubes cujos adeptos não respeitam as regras básicas de convivência e respeito.
Este episódio recente, ocorrido minutos antes do apito inicial do jogo, deixa claro que o combate contra o racismo no futebol está longe de estar ganho. A responsabilidade cabe não só às instituições, mas também aos clubes, adeptos e a toda a sociedade desportiva, para que episódios deste género deixem de ser notícia.
O futebol tem o poder de unir, de criar pontes entre culturas e comunidades, mas também pode ser manchado por atitudes que promovem a divisão e o ódio. A mensagem é clara: a tolerância zero deve ser aplicada sem exceções e com toda a firmeza possível.
O mundo do desporto aguarda agora uma reação rápida e contundente das autoridades competentes, para que episódios como este não voltem a acontecer e para que o verdadeiro espírito do futebol prevaleça em todos os estádios, em Espanha e pelo mundo fora.
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