O Chelsea Football Club, um dos gigantes do futebol inglês, acaba de entrar para os livros de história, mas não da forma que desejaria. O clube londrino registou um prejuízo estrondoso de 407 milhões de euros na temporada 2024/25, um feito que representa o maior défice financeiro já visto na história do futebol inglês, segundo um relatório recente da UEFA intitulado “Panorama europeu do financiamento e investimento em clubes”. Este dado alarmante destaca os desafios financeiros que o Chelsea enfrenta sob a liderança do consórcio Clearlake Capital e de Todd Boehly.
As implicações deste prejuízo colossal são profundas. A única comparação que surge à mente é o défice de 555 milhões de euros do Barcelona durante a temporada 2020/21, um período atípico exacerbado pela pandemia da Covid-19. No entanto, o Chelsea parece ter conseguido evitar sanções adicionais da UEFA, graças a um acordo estabelecido no verão anterior que permite que o clube mantenha o défice em conformidade com o seu plano de negócios. Conforme reportado pelo The Athletic, o Chelsea cumpriu os termos acordados, o que significa que, por enquanto, a tempestade financeira não resultará em penalizações adicionais.
O que é ainda mais preocupante é a acumulação do prejuízo ao longo dos últimos três anos, que já atinge a impressionante cifra de 622 milhões de euros. Este valor está muito acima do teto de 60 milhões de euros imposto pelas rigorosas regras de Lucros do Futebol da UEFA, mesmo considerando as deduções permitidas. A análise financeira do Chelsea é complexa, devido a transações que se situam numa área cinzenta entre os regulamentos da UEFA e da Premier League. Transações como a venda interna da equipa feminina, a troca de jogadores entre o Chelsea e o Estrasburgo e outras movimentações financeiras têm levantado questões sobre a transparência e a estratégia financeira do clube.
Apesar deste cenário sombrio, o Chelsea mantém uma postura otimista em relação ao cumprimento das regras financeiras, tanto em nível doméstico como europeu. Fontes próximas do clube asseguram que não houve violação das Regras de Lucro e Sustentabilidade da Premier League, e que o Chelsea está a operar dentro do limite de perdas acumuladas de três anos. Para a temporada 2025/26, o clube terá de se restringir a um prejuízo de apenas cinco milhões de euros, conforme estipulado no acordo com a UEFA. O aumento das receitas comerciais, impulsionado pela recente assinatura de um contrato de patrocínio principal para a camisola, juntamente com as potencialmente lucrativas transferências de jogadores, serão cruciais para que o Chelsea consiga navegar este complicado período.
O futuro financeiro do Chelsea está, sem dúvida, repleto de incertezas, mas a determinação do clube em cumprir as normas e as suas estratégias de crescimento serão vitais para a sua recuperação. À medida que os adeptos esperam ansiosamente por uma viragem nos resultados dentro de campo, as questões financeiras continuam a ser uma sombra constante sobre o futuro do clube.
