A tensão entre Sir Jim Ratcliffe, o magnata e co-proprietário do Manchester United, e o velejador britânico Ben Ainslie atingiu níveis alarmantes, com um conflito legal em jogo que envolve um barco de vela avaliado em impressionantes 210 milhões de euros. Este desentendimento, que se desenrola após uma parceria inicialmente promissora na America's Cup, destaca não apenas a rivalidade pessoal entre os dois, mas também questões profundas sobre propriedade e controlo na elite do desporto náutico.
A Ineos, a gigante petroquímica cofundada por Ratcliffe, decidiu avançar legalmente para exigir a devolução do barco que fez história durante a 37.ª edição da America's Cup, realizada em Barcelona. O barco, que foi um símbolo do sucesso da equipa de Ainslie e da Ineos, agora é um ponto de discórdia, após a Ineos anunciar que Ainslie mantém posse do mesmo, apesar de ter sido financiado pela empresa.
A parceria entre Ratcliffe e Ainslie, que inicialmente parecia promissora, começou a deteriorar-se em janeiro de 2025, quando Ratcliffe anunciou o fim da colaboração. Ele justificou a decisão, afirmando que não foi possível chegar a um acordo sobre os termos para uma terceira campanha. Apesar do desfecho negativo, Ratcliffe planeja lançar um novo desafio na 38.ª America's Cup, que ocorrerá em Nápoles em 2027, mantendo ligações técnicas com a equipa de Fórmula 1 da Mercedes, na qual possui uma participação significativa.
Por outro lado, Ainslie expressou a sua perplexidade em relação à decisão de Ratcliffe, referindo que existem “obstáculos legais e práticos significativos” que complicam a situação. Embora Ratcliffe tenha tentado avançar com os seus planos, o seu desafio foi abandonado em virtude de negociações prolongadas com a Athena Racing, equipa liderada por Ainslie. A tensão entre as partes ficou mais evidente quando a Ineos alegou ter recebido informações de que o barco, construído especificamente para a última edição da competição, estava na posse da Athena Racing, que agora se apresenta como GB1 e é apoiada pela Oakley Capital.
Num comunicado emitido, a Ineos expressou a sua surpresa e indignação: “O barco que construímos para a última America's Cup foi tomado pela Athena Racing. O barco pertence à Ineos e é inapropriado assumir que pode ser usado para a próxima competição sem a nossa permissão. Este barco foi o mais bem-sucedido da história britânica e custou 210 milhões de euros à Ineos.” A empresa também revelou que tomou medidas legais para garantir a devolução do barco, e que não fará mais comentários enquanto o processo legal estiver em curso.
O foco da disputa parece centrar-se na propriedade e no controlo da equipa. A Ineos afirma ter investido um total de 404 milhões de euros nas campanhas de Ainslie, mas a questão sobre se esse investimento conferiu direitos sobre os ativos permanece nebulosa. A equipa é oficialmente propriedade da Athena Racing Ltd, controlada por Ainslie, que, apesar de ter vendido uma participação maioritária à Oakley Capital, continua a defender que a Ineos sempre foi apenas um patrocinador, e não a proprietária da equipa.
A Athena Racing, por sua vez, reagiu ao tumulto, afirmando que “não deveria ser surpresa para a Ineos” que a equipa continue a usar o barco, já que este “é propriedade e esteve sempre na posse” da Athena. Este embate não é apenas uma batalha jurídica; representa também um choque cultural entre o mundo empresarial e o desporto, onde a ambição e a rivalidade podem levar a desentendimentos dramáticos e públicos. Enquanto isso, o desfecho deste conflito promete ser tão emocionante quanto as próprias corridas da America's Cup.
