Rui Borges sob fogo cerrado após vitória sofrida do Sporting: “Adormecemos no segundo golo, num lance que estava controlado”
O Sporting suou sangue para garantir os três pontos diante do Santa Clara, num jogo que parecia controlado, mas que se complicou nos minutos finais, terminando com um inquietante 4-2 no marcador. A equipa açoriana deu uma verdadeira réstia de esperança ao reduzir a desvantagem, obrigando os leões a uma resposta determinada para evitar surpresas em Alvalade.
No final da partida, Rui Borges, treinador do Sporting, não escondeu a crítica dura à sua própria equipa, assumindo que “adormeceram no segundo golo, num lance que estava controlado”. Numa análise franca concedida à Sport TV, o técnico reconheceu que o controlo do jogo esteve do lado dos verdes e brancos, mas que a equipa relaxou quando deveria manter a concentração máxima.
“Foi um jogo que controlámos do início ao fim. O Santa Clara marcou primeiro, e mereceu esse momento, mas depois fomos crescendo no jogo. Controlámos a posse, criámos várias situações de perigo na área adversária, e o apoio dos adeptos foi fundamental para manter a equipa tranquila. O resultado de 3-1 ao intervalo era justo pelo mérito da nossa exibição”, começou por dizer Rui Borges, antes de explicar a quebra natural na intensidade após o descanso.
“O segundo tempo começou bem para nós. É natural que a equipa caia um pouco após a paragem, e foi nesse momento que o Santa Clara conseguiu o 3-2, num lance que tínhamos controlado pelo Zeno. Felizmente, a equipa respondeu bem e conseguimos impor o nosso ritmo até ao fim. Fico satisfeito com o que a equipa deu em todos os momentos”, explicou o treinador, que não se mostrou preocupado com as duas bolas paradas que resultaram em golos do adversário. “O do canto foi anulado, e no segundo golo, como já disse, adormecemos. Mas controlámos o jogo e estou feliz com a entrega da equipa.”
Rui Borges aproveitou ainda para justificar as opções no onze inicial, afirmando que as escolhas foram feitas para responder às circunstâncias do jogo e garantir uma equipa capaz de atacar a partida com o máximo rendimento possível. “Foi uma gestão dentro do jogo e das circunstâncias. Achámos que este era o melhor onze para atacar o jogo e dar resposta à envolvência.”
Quanto a Pedro Gonçalves, o “Pote”, o técnico destacou a importância do avançado na equipa, lamentando a paragem prolongada e a falta de minutos pela seleção, fatores que condicionaram o seu ritmo. “Ele veio de uma paragem longa, não teve minutos na seleção, que esperávamos que tivesse. Agora, teve 45 minutos bons e precisamos dele para ganhar confiança e ritmo, especialmente neste mês intenso.”
Sobre as polémicas declarações antes do jogo, que foram interpretadas como uma minimização da posição do Sporting, Rui Borges foi direto: “Parabéns aos adeptos, foram muito importantes ao longo do tempo e esta vitória é mais um passo no nosso caminho.”
Com esta vitória, Rui Borges alcança um impressionante registo de 17 triunfos consecutivos em Alvalade na presente temporada, um dado que evidencia o seu domínio como treinador caseiro do Sporting. O avançado que marcou o quarto golo do encontro fechou com chave de ouro a exibição dos leões, garantindo os três pontos numa partida que podia ter acabado de forma muito diferente.
Num desporto onde cada erro pode ser fatal, o alerta de Rui Borges é claro: o Sporting não pode adormecer, mesmo quando parece estar no controlo. O treinador, apelidado por alguns de “maníaco da linha de fora de jogo”, sabe que o caminho para o topo é feito de atenção permanente e entrega total. E isso, para já, não está em causa – apesar dos sustos que o Santa Clara proporcionou.
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