Abdoulaye Fall, o presidente da Federação Senegalesa de Futebol, não tem papas na língua ao criticar a influência crescente de Marrocos na Confederação Africana de Futebol (CAF). Após a controversa final da CAN’2025, onde o Senegal triunfou sobre o anfitrião Marrocos com um golo solitário no prolongamento, Fall levantou sérias questões sobre o controle que o país norte-africano exerce sobre a organização responsável pelo futebol em África.
Em declarações contundentes ao jornal “Le Soleil”, Fall não hesitou em afirmar: “Marrocos controla a CAF, é preciso dizer isso. Eles controlam tudo e decidem tudo. Não há nenhum país que se tenha oposto a Marrocos como o Senegal fez”. Esta afirmação não é meramente retórica; é uma acusação que reflete as tensões subjacentes no futebol africano.
Fall detalhou uma situação específica que exemplifica a sua preocupação: a tentativa da CAF de impor o complexo Mohammed VI como local de estágio para a seleção senegalesa durante a competição. O presidente da FSF considerou esta exigência inaceitável, argumentando que tal decisão colocaria a sua equipa em risco, vulnerável a “espiões” de outras seleções. “Quando Abdoulaye Sow [secretário-geral da FSF] me informou disso, eu disse-lhe claramente: não vamos lá. Ficaríamos totalmente expostos. O menor detalhe pode ser observado”, explicou Fall, revelando a sua determinação em proteger a integridade da seleção.
A indignação de Fall não se limitou a questões de logística. Ele também expressou a sua frustração com a falta de segurança durante a recepção do Senegal em Rabat, apontando o dedo a Faouzi Lekjaa, presidente da Real Federação Marroquina de Futebol, e a outros responsáveis da CAF. “Todos se passavam a responsabilidade uns aos outros. Naquele momento, percebi que estavam a enganar-me”, disse Fall, transmitindo a sensação de traição e desconfiança que permeia as relações entre as federações.
Adicionalmente, o presidente senegalês criticou a CAF pelo incumprimento dos prazos estabelecidos para a nomeação do árbitro da final, o que, segundo ele, foi uma falha intencional. “O regulamento prevê um prazo mínimo para poder recusar um árbitro, mas só fomos informados na véspera da final, às 22h00”, lamentou Fall. Essa falta de comunicação resultou numa carta de protesto da seleção senegalesa que foi enviada à CAF enquanto o jogo já estava a decorrer. “Eles têm os meios e muitos países não se atrevem a ir contra a sua vontade”, concluiu Fall, sublinhando a disparidade de poder entre as federações no continente africano.
As declarações de Abdoulaye Fall acendem um alerta sobre a necessidade de uma maior transparência e equidade nas decisões da CAF, especialmente em competições que envolvem múltiplas nações. O futuro do futebol africano pode depender da capacidade das federações em unir forças e questionar o domínio de um único país sobre as decisões que moldam o desporto no continente.
