Quarta-feira, Fevereiro 25, 2026

Violência em Guadalajara expõe falhas graves na segurança do México, e Mundial pode mesmo estar em causa

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A recente onda de violência em Guadalajara, uma das cidades-sede do Mundial 2026, acendeu um sinal vermelho sobre a segurança no México, deixando autoridades e fãs em estado de alerta. O que deveria ser um tranquilo domingo na segunda maior cidade do país transformou-se num cenário de caos absoluto, após violentos confrontos de rua, desencadeados pela morte de Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, o temido líder do cartel Jalisco Nova Geração, abatido pelas forças armadas mexicanas.

As imagens que emergiram da cidade são arrepiantes: autocarros e camiões em chamas, lojas, bancos e postos de gasolina atacados por grupos armados, numa resposta feroz à eliminação de Oseguera. Os chamados 'narcobloqueios' e táticas de guerrilha urbana demonstram a ousadia dos cartelistas, que não hesitaram em transformar Guadalajara, a Perla Tapatia, em um verdadeiro campo de batalha. Com uma população de 5,5 milhões de habitantes, a cidade rapidamente mergulhou no pânico, tornando-se quase uma cidade fantasma.

Esses eventos violentos levantam sérias questões sobre a segurança necessária para a realização dos jogos da Copa do Mundo, programados para ocorrer no Estádio Chivas, que tem capacidade para 49 mil espectadores. Para agravar a situação, a FIFA e as autoridades mexicanas devem considerar a viabilidade de manter os jogos agendados, incluindo partidas críticas como México-Coreia do Sul em 18 de junho e Espanha-Uruguai em 26 de junho, além de um embate da Colômbia contra uma seleção em repescagem no dia 23 de junho.

Em resposta à escalada da violência, o Ministério da Defesa do México mobilizou 10 mil militares para a região, uma medida que, embora significativa, já demonstra seus efeitos colaterais no desporto local, com o adiamento de quatro jogos dos campeonatos masculino e feminino. Num incidente chocante, durante a partida entre Necaxa e Querétaro, as jogadoras fugiram para os balneários em pânico ao ouvirem barulhos que pareciam disparos nas redondezas, embora a federação tenha desmentido a ocorrência de tiros.

A tensão continua a aumentar, especialmente com o amistoso entre México e Islândia ainda marcado para esta quarta-feira, em Querétaro. Contudo, a presença crescente do cartel Jalisco na região, a apenas 350 quilómetros de Guadalajara, levanta questões sobre a segurança dos jogadores e torcedores. O selecionador mexicano, Javier Aguirre, pode ser chamado a responder sobre a situação alarmante, que exige uma abordagem cautelosa.

A preocupação pela segurança dos turistas nunca foi tão evidente, levando até o Ministério dos Negócios Estrangeiros da França a emitir um alerta para os seus cidadãos na região de Jalisco, aconselhando-os a ter “a maior prudência” e a permanecerem em segurança. O consultor de segurança David Saucedo não tem ilusões: “É difícil garantir que o México será um país seguro durante o Campeonato do Mundo”. Com o futuro do torneio em jogo, a nação precisa urgentemente de soluções eficazes para restaurar a segurança e a confiança em um evento de tal magnitude.

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