Sexta-feira, Fevereiro 20, 2026

Mourinho deve pedir desculpa após críticas emocionais, diz Mccarthy

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A controvérsia no mundo do futebol volta a agitar as águas, desta vez com a figura proeminente de José Mourinho no centro da tempestade. O ex-avançado sul-africano Benni McCarthy não hesitou em criticar as declarações do treinador do Benfica, acusando-o de ser “emocional” e de ter cometido um erro grave ao se referir ao recente episódio de abuso racial direcionado ao brasileiro Vinicius Jr., jogador do Real Madrid.

O incidente ocorreu durante um jogo da Liga dos Campeões, onde Vinicius Jr. marcou o único golo que garantiu a vitória do Real Madrid sobre o Benfica. Contudo, o momento de celebração do jogador foi interrompido quando a partida foi suspensa por 10 minutos, após o brasileiro relatar ter sido alvo de abusos raciais por parte do extremo argentino Gianluca Prestianni. A UEFA já iniciou uma investigação sobre as alegações, que Prestianni nega veementemente.

Após o jogo, Mourinho, que foi expulso por protestar contra o árbitro, afirmou que Vinicius havia sido “desrespeitoso” com a sua celebração, mencionando ainda o ícone do clube, Eusébio, como exemplo de que o Benfica não é um clube racista. Contudo, McCarthy, que conquistou a Liga dos Campeões sob o comando de Mourinho no Porto em 2004, defende que o treinador português deveria ter abordado a situação de forma diferente. “A situação, ele poderia ter lidado melhor ou escolhido suas palavras de forma mais cuidadosa, mas as emoções falaram mais alto”, declarou McCarthy ao apresentador da BBC World Service, Isaac Fanin.

O ex-jogador acrescentou que “o que ele disse foi muito errado. Todos nós somos humanos, todos cometemos erros. Quando vem de alguém que eu conheço pessoalmente e que sei como ele se sente em relação ao nosso continente e ao nosso povo, ele é o melhor homem que qualquer jogador africano poderia ter como treinador. Foi uma decisão emocional, dura, onde talvez ele tenha tomado uma decisão que não foi a correta, e espero que ele tenha a humildade de admitir o erro.”

Vinicius Jr., que já foi alvo de vários episódios de abuso racial ao longo da sua carreira, reagiu nas redes sociais, afirmando: “Os racistas são, acima de tudo, covardes.” O Benfica, por sua vez, defendeu Prestianni, alegando que existe uma “campanha de difamação” contra o jogador argentino. Caso seja considerado culpado, Prestianni pode enfrentar uma suspensão mínima de 10 jogos nas competições europeias.

A discussão sobre o racismo no futebol não se limita a este incidente. O treinador do Chelsea, Liam Rosenior, afirmou que deve existir uma política de tolerância zero para qualquer pessoa encontrada culpada de comportamentos racistas no futebol. “Se qualquer jogador, treinador ou dirigente for considerado culpado de racismo, não deveria estar no jogo. É tão simples quanto isso”, declarou Rosenior, que também chamou a atenção para a necessidade de uma mudança mais ampla na sociedade. “É uma situação muito complexa quando se fala de raça ou gênero. Há muitas coisas que precisam mudar na sociedade”, concluiu.

McCarthy concorda que o problema do racismo vai muito além do futebol. “Na sociedade atual, as pessoas não estão abertas a falar sobre isso. Ainda não temos essas conversas”, disse. “Há uma raça que deseja ter essa conversa e a outra não está pronta. Em momentos de raiva, você pode soltar uma frase como essa, mas é rápido para dizer que não é racista, enquanto utiliza uma frase racista subjacente quando está irritado. Para que esse problema desapareça, ambas as partes e ambas as raças precisam estar dispostas a discutir essas questões.”

A situação continua a ser um tema candente, com o mundo do futebol a ser chamado a assumir a responsabilidade e a agir contra o racismo, uma chaga que, lamentavelmente, ainda persiste no desporto.

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