A atuação impressionante de Rio Ngumoha na recente vitória do Liverpool por 1-0 sobre o Nottingham Forest acendeu um debate fervoroso sobre o seu tempo de jogo. A discussão agora transcende a simples questão do talento do jovem extremo de 17 anos; a verdadeira pergunta é se Arne Slot, o treinador da equipa, conseguirá manter Ngumoha numa função de participação limitada por muito mais tempo.
Após o apito final, a conversa rapidamente se intensificou, com muitos a questionarem: “Por que é que Rio Ngumoha não joga mais?” Esta inquietação não se restringe apenas aos adeptos. O antigo avançado do Liverpool, Daniel Sturridge, não hesitou em expressar a sua opinião: “Sempre que vejo o Rio Ngumoha, ele parece elétrico. Direto, destemido, sempre a tentar afetar o jogo. Ele merece mais minutos. Simples assim.”
No entanto, a explicação de Slot baseia-se no desenvolvimento do jogador, e não numa preferência de seleção. “Não acho que exista um jovem de 18 ou 19 anos que tenha jogado tantos minutos como o Rio… isso diz muito sobre o seu talento.” A argumentação do treinador holandês é respaldada por dados concretos. Ngumoha já contabiliza nove aparições na Premier League, mais do que qualquer outro jogador com menos de 18 anos nesta temporada. Contudo, ao analisarmos os números de forma mais profunda, a situação revela-se ambígua: ele soma apenas 89 minutos jogados na liga, uma estatística que o coloca em 55º lugar entre os jovens jogadores da Premier League.
Esse paradoxo é crucial para a discussão: por um lado, Ngumoha está frequentemente em campo, mas por outro, as suas participações têm sido limitadas em termos de tempo efetivo de jogo. O encontro no City Ground exemplifica perfeitamente esta situação. Após a lesão de Florian Wirtz no aquecimento, o Liverpool perdeu o controle do jogo, com Dominik Szoboszlai a ser deslocado para a posição de lateral-direito, o que resultou numa escassez de imprevisibilidade ofensiva. Foi então que Ngumoha entrou em cena.
Darren Bent descreveu de forma precisa o impacto que o jovem teve no jogo: “Rio Ngumoha fez um excelente trabalho… ele mudou a partida… apenas deixa o cruzamento numa área muito boa.” A jogada resultou numa situação em que Alexis Mac Allister parecia ter marcado antes de o VAR intervir, e a dinâmica do jogo virou-se notavelmente após a entrada do adolescente.
Esta não é uma ocorrência isolada; Ngumoha tem repetidamente influenciado partidas em espaços curtos de tempo, reforçando a ideia de que o Liverpool o está a proteger fisicamente, em vez de duvidar das suas capacidades técnicas. A análise da BBC também levanta uma preocupação mais ampla que muitos clubes consideram discretamente: a carga de trabalho pesada em jovens avançados pode afetar a sua longevidade, motivo pelo qual uma gestão cuidadosa é muitas vezes deliberada e não cautelosa.
Atualmente, a abordagem de Slot parece lógica. Um extremo de 17 anos está a defrontar defensores com idades entre 25 e 28 anos. O treinador do Liverpool destacou essa realidade física: “Para ele mostrar isso já aos 17 anos, diz algo sobre o seu talento. Mas… o talento é apenas o início da sua carreira.”
Contudo, o jogo contra o Forest também revelou um risco diferente. A equipa carecia de opções decisivas no banco até a entrada de Ngumoha, cuja participação imediatamente trouxe largura, imprevisibilidade e condução direta que estavam ausentes há mais de uma hora. É precisamente por isso que o debate sobre a utilização do jovem está a intensificar-se, em vez de desaparecer. O Liverpool está claramente a proteger Ngumoha, mas atuações como a deste jogo sugerem cada vez mais que estamos a adiar algo inevitável.
