José Mourinho, uma das figuras mais icónicas do futebol mundial, vive um momento sombrio na sua carreira, especialmente na Liga dos Campeões, onde a sua passagem nos últimos anos tem sido marcada por uma série de insucessos que se acumulam. A recente eliminação do Benfica, que se junta a uma lista de desaires em clubes como Chelsea, Manchester United e Tottenham, assinala um total de 10 jogos consecutivos sem vitórias em fases a eliminar da competição. Um feito que, sem dúvida, abala a reputação do “Special One”.
Recordemos que foi no dia 22 de maio de 2010 que Mourinho celebrou um triunfo memorável no Santiago Bernabéu, ao conquistar a Liga dos Campeões pelo Inter de Milão. Naquele dia, o argentino Diego Milito foi o herói que lhe proporcionou o segundo troféu da Champions, após o primeiro pelo FC Porto em 2004. Desde então, o cenário tornou-se cada vez mais sombrio, com a sua última vitória em fases a eliminar datada de 2014, quando eliminou o Paris Saint-Germain nos quartos-de-final, uma lembrança que parece distante e quase irreal.
A trajetória de insucessos começou logo na época 2013/14, quando Mourinho viu o seu Chelsea ser eliminado nas meias-finais pelo Atlético de Madrid. Um empate inicial (0-0) no Vicente Calderón parecia promissor, mas o Atlético desfez as esperanças ao vencer por 3-1 na segunda mão, com golos de Adrián López, Diego Costa e Arda Turan. O golo de Fernando Torres não foi suficiente para evitar a queda.
Na temporada seguinte, em 2014/15, a história repetiu-se com o Chelsea a ser eliminado nos oitavos-de-final pelo PSG, onde o treinador francês Laurent Blanc vingou a eliminação anterior. Após um empate em Paris, o jogo em Londres também terminou 1-1, levando a uma emocionante prorrogação onde o Chelsea, depois de se adiantar com um golo de Hazard, viu Thiago Silva, agora no FC Porto, marcar o golo de apuramento para os franceses.
Após a sua saída do Chelsea em 2015, Mourinho voltou a ter uma nova oportunidade na Champions em 2017/18, desta vez ao leme do Manchester United. Contudo, o destino foi cruel novamente, com o Sevilha a eliminar os red devils nos oitavos-de-final, com Ben Yedder a marcar dois golos fatais.
A má sorte de Mourinho continuou em 2019/20 no Tottenham, onde, após uma derrota em casa com um golo de penalti de Timo Werner, a eliminação foi confirmada na Alemanha com um pesado 0-3. E agora, ao comando do Benfica, a história reescreveu-se com nova eliminação, desta vez frente ao Real Madrid, onde os encarnados, após uma derrota em Lisboa (0-1), voltaram a cair com um 1-2 no Santiago Bernabéu, somando assim mais uma desilusão à sua carreira.
Mourinho, que assistiu ao jogo em Madrid afastado dos holofotes devido a uma suspensão, vê-se agora no centro das críticas e incertezas. O descontentamento entre os adeptos é palpável, especialmente após um pedido de camisola que gerou revolta nas redes sociais. A pressão sobre o treinador aumenta, enquanto os seus dias de glória na Champions parecem uma memória distante, quase como um eco do passado glorioso.
O futuro de Mourinho no Benfica e na competição milionária estará agora sob escrutínio, com muitos a questionar se o treinador ainda tem a capacidade de resgatar a sua carreira e reverter esta maré de resultados negativos. A pergunta que todos se fazem é: conseguirá Mourinho recuperar o seu estatuto de “Special One” ou estamos a assistir ao ocaso de um dos maiores treinadores da história do futebol?
