Infantino defende expulsão de jogadores que tapam a boca em confrontos

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A proposta de Gianni Infantino, presidente da FIFA, para sancionar jogadores que cobrem a boca durante confrontos pode mudar drasticamente a dinâmica do futebol. Em declarações contundentes à Sky News, Infantino defendeu que tais jogadores devem ser expulsos, partindo do princípio de que estão a proferir algo que não deviam. Esta iniciativa surge em um contexto delicado, após o incidente envolvendo o jogador do Benfica, Gianluca Prestianni, que levantou a sua camisa sobre a boca ao falar com Vinicius Jr., do Real Madrid, durante um jogo da Liga dos Campeões.

Prestianni, um jovem talento argentino, enfrenta agora uma suspensão provisória de um jogo, atribuída pela UEFA, devido a alegações de uso de linguagem racista, o que ele nega veementemente. A suspensão está pendente de uma investigação mais aprofundada por parte de um inspetor de ética e disciplina, que pode resultar em sanções adicionais dependendo do desfecho da investigação.

Infantino enfatizou que, embora cada caso individual deva ser tratado pelas entidades competentes, o futebol precisa de agir de forma decisiva para implementar medidas que tenham um efeito dissuasor. “Se um jogador cobre a boca e diz algo que tem uma consequência racista, então ele deve ser expulso, obviamente,” afirmou Infantino. Ele argumentou que existe uma presunção de que, se um jogador se sente obrigado a ocultar o que está a dizer, é porque, de fato, não deveria estar a dizer tal coisa. “Se não tem nada a esconder, não cobre a boca ao falar,” concluiu.

Este tema foi discutido na reunião anual do International Football Association Board (Ifab) no último fim de semana no País de Gales. Embora não tenha havido um consenso final, está previsto que medidas possam ser acordadas no Congresso da FIFA em Vancouver, no dia 30 de abril. Essa mudança, se aprovada, poderá ser implementada a tempo para o Mundial de Futebol deste verão.

Mattias Grafstrom, secretário-geral da FIFA, destacou a importância de continuar as discussões para desenvolver medidas antes do torneio. “Queremos continuar a discussão e potencialmente chegar a medidas antes do Mundial,” afirmou. Por sua vez, Mark Bullingham, CEO da Football Association e membro do Ifab, ressaltou que é fundamental consultar amplamente o jogo para evitar quaisquer contratempos. “É evidente que, quando um jogador está a falar com um adversário, há poucas circunstâncias em que ele deveria cobrir a boca durante um confronto,” disse Bullingham.

A proposta de Infantino e as discussões em torno dela ganham relevância em um momento em que o futebol enfrenta um aumento nos casos de abuso racial, como exemplificado pelos 20 incidentes que Vinicius Jr. já enfrentou em seus oito anos no Real Madrid. A necessidade de uma resposta firme e eficaz contra o racismo no futebol nunca foi tão urgente, e a implementação de regras que desencorajem comportamentos inaceitáveis é uma prioridade que está a ser debatida com crescente fervor.

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