Bilhetes a preços astronómicos, polémicas fora das quatro linhas e expectativas ao rubro: o Mundial está finalmente à porta e as atenções voltam a centrar-se no que realmente importa — o futebol jogado ao mais alto nível. Para quem pondera investir uma pequena fortuna para garantir um lugar no MetLife Stadium, a 19 de Julho, resta a grande questão: quem terá realmente hipóteses de lá chegar? As casas de apostas não deixam margem para dúvidas e apontam os suspeitos do costume como favoritos ao título, com Espanha, França e Inglaterra no topo das preferências. Mas qual o verdadeiro caminho de cada uma destas três selecções até à final mais desejada do planeta? Preparamos uma análise exaustiva ao percurso provável de cada gigante europeu rumo à glória absoluta.
A Espanha surge como principal favorita, cotada a 9/2, e está apostada em regressar ao topo do mundo do futebol, dois anos depois de uma conquista histórica do seu quarto título europeu na Alemanha. Com uma geração de ouro liderada pelo prodígio Lamine Yamal, agora com 18 anos e já considerado por muitos como o melhor jogador do mundo, La Roja apresenta-se com um plantel repleto de talento, onde brilham também Pedri, Gavi, Dani Olmo e Pau Cubarsí, todos eles com ADN do Barcelona. Luís de la Fuente recebeu uma fase de grupos teoricamente acessível: estreia frente aos estreantes Cabo Verde em Atlanta a 15 de Junho, seguida de duelo com a Arábia Saudita no mesmo estádio cinco dias depois. Estes dois jogos deverão garantir seis pontos e uma chuva de golos, antes de um confronto mais exigente com o Uruguai em Guadalajara a 26 de Junho. Os espanhóis são favoritos claros a vencer o Grupo H — as casas de apostas dão-lhes 1/5 — e só uma hecatombe os poderá afastar desse objectivo. Ultrapassando a fase de grupos, cruzar-se-ão provavelmente com Áustria ou Argélia em Los Angeles a 2 de Julho, mais um obstáculo teoricamente fácil. Depois, aguardará um duelo com Croácia ou Colômbia nos oitavos-de-final, antes de um possível embate com EUA, Turquia ou Bélgica nos quartos, adversários que, no papel, não assustam La Roja. Só nas meias-finais deverão encontrar o primeiro verdadeiro colosso: a França.

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Os gauleses, que procuram um inédito terceiro apuramento consecutivo para a final de um Mundial, já provaram que são uma máquina competitiva implacável. Campeões em 2018 e vice-campeões em 2022, chegam a este torneio com baixas de peso: Antoine Griezmann e Olivier Giroud, dois pilares da última década, não estarão disponíveis. Ainda assim, Didier Deschamps conta com um ataque absolutamente temível composto por Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise e Désiré Doué — um quarteto que promete aterrorizar qualquer defesa adversária. O percurso dos franceses é, contudo, muito mais espinhoso. Integrados naquele que muitos consideram o grupo da morte, com Noruega e Senegal, são ainda assim favoritos a vencer o Grupo I (2/5 nas apostas). Caso cumpram esse objectivo, jogam a 30 de Junho no MetLife Stadium frente a uma das melhores terceiras classificadas. Nos oitavos, segue-se um confronto de alto risco com a poderosa Alemanha em Filadélfia, antes de um potencial embate com os Países Baixos nos quartos, em Boston, a 9 de Julho. Se superarem este autêntico percurso de guerra, encontrarão muito provavelmente a Espanha nas meias-finais, a 14 de Julho em Dallas, num duelo que promete ser épico.
Já Inglaterra carrega consigo o habitual rótulo de “pretendentes ou candidatos?”. As suas presenças consecutivas em finais do Europeu mudaram a percepção de muitos adeptos e críticos, e agora, com Thomas Tuchel ao leme — um treinador habituado a conquistar títulos — e com Harry Kane numa forma absolutamente devastadora (61 golos em 51 jogos pelo Bayern Munique esta época), existe uma confiança renovada. Os ingleses são favoritos claros a liderar o seu grupo (Grupo L, 1/4), onde terão de ultrapassar a sempre traiçoeira Croácia logo na estreia, antes de defrontar Gana e Panamá. Ultrapassando a fase de grupos, esperam por um dos melhores terceiros classificados em Atlanta, a 1 de Julho, mas depois terão de enfrentar os co-anfitriões México no mítico Estádio Azteca, perante uma multidão local inflamada. Nos quartos-de-final, o destino coloca-lhes uma reedição do duelo de 2002 com o Brasil, e, caso avancem, o adversário nas meias-finais será muito provavelmente uma das suas duas grandes némesis modernas: Argentina ou Portugal, que deverão medir forças nos quartos, com o vencedor a rumar ao confronto frente aos ingleses.
A importância deste percurso reside no facto de as três selecções carregarem não só o peso das expectativas nacionais, mas também a pressão das apostas globais e da opinião pública, que antecipa uma final histórica entre duas das potências europeias. Lamine Yamal, questionado sobre a responsabilidade de liderar Espanha, afirmou recentemente: “Sabemos o que nos espera, mas este grupo está preparado para dar tudo pelo nosso país.” Já Kylian Mbappé, após o sorteio, desvalorizou a dureza do grupo francês: “Se queremos ser campeões do mundo, temos de ganhar a toda a gente, não importa o adversário.” Também Harry Kane, ao serviço da selecção inglesa, mostrou confiança: “Estou no melhor momento da minha carreira e acredito que podemos conquistar o troféu.”
O caminho é longo e repleto de armadilhas, mas a expectativa é que Espanha, França e Inglaterra continuem a dominar as manchetes, a alimentar sonhos e a inflamar paixões em milhões de adeptos por todo o mundo. Agora, resta saber quem conseguirá resistir à pressão, ultrapassar rivais históricos e gravar o seu nome na história. Com um calendário tão exigente, cada deslize será fatal e cada vitória aproximará uma destas selecções da imortalidade. O mundo estará atento, e a corrida pelo troféu mais desejado do futebol já começou — quem ficará pelo caminho e quem erguerá a taça em Nova Iorque?
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