A saída de Xabi Alonso do comando do Real Madrid não é apenas mais uma troca de treinador, mas sim um reflexo da crise que permeia o futebol moderno e a estrutura do clube. Desde o início da sua breve passagem, Alonso parecia estar em desacordo com a grandiosidade e a cultura do Real Madrid. Enquanto alguns se concentravam em Kylian Mbappé e nas suas ações que supostamente impediram os companheiros de equipa de prestarem homenagem ao Barcelona na Supertaça, outros olhavam para trás, para o primeiro jogo de Alonso: uma partida contra o Al Hilal no Mundial de Clubes.
Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, sempre teve a ambição de elevar a importância histórica deste novo torneio, mas Alonso não conseguiu esconder o seu desinteresse pela competição. Essa falta de entusiasmo não passou despercebida e rapidamente se transformou em um problema para Pérez, que viu o seu novo treinador sem qualquer apoio público, nem mesmo uma menção nas mensagens de Natal do presidente. Isso foi um sinal claro do que estava por vir.
Alonso não foi o primeiro a sentir a pressão da estrela no Bernabéu. A história do clube está repleta de treinadores que foram esmagados pela influência dos jogadores e pela administração. Um ditado popular dentro do clube é que “o treinador pouco importa”. A derrota para o Barcelona por 3-2 e a maneira como os eventos fora de campo ofuscaram o desempenho da equipa são apenas alguns exemplos do caos que reinava.
O Real Madrid, que sempre tende a levar tudo ao extremo, tornou-se o terceiro clube da Superliga a dispensar seu treinador em apenas 12 dias de 2026. A grande diferença agora é que a nomeação de Alonso deveria marcar uma nova era para o clube, afastando-se do individualismo das estrelas e abraçando um jogo mais orientado para o sistema. Alonso, um ícone do clube, parecia ser a solução ideal, representando um “terceiro caminho” nas táticas em evolução do futebol.
Entretanto, a falta de paciência do clube é alarmante. Como se pode esperar uma evolução se as mudanças são abandonadas após poucos meses e algumas derrotas? “É Madrid”, comentou uma fonte próxima ao balneário. “Perdes, estás fora.” Um eco da realidade imutável do clube.
Mas não se pode atribuir toda a culpa à resistência institucional. De acordo com um insider do balneário, o problema estava em Alonso em si. “Ninguém gostava dele”, expressou uma fonte, revelando que o treinador nunca conseguiu estabelecer uma conexão com a equipa. As suas ideias não estavam a ser aceites e, logo no início, perdeu o vestiário, incapaz de se adaptar a certas personalidades. No entanto, essa dinâmica também funcionou de forma mútua, com Alonso a ser criticado por desviar-se da sua própria ideologia, levando a uma falta de confiança na sua liderança.
O que resta agora é uma reflexão profunda sobre o futuro do Real Madrid e a sua capacidade de se adaptar às exigências do futebol contemporâneo. A saída de Alonso não é apenas um desfecho infeliz para o treinador, mas sim um sintoma de uma organização que precisa urgentemente reavaliar as suas prioridades e métodos.
