A temporada 2023/24 tem sido um verdadeiro campo de batalha para treinadores no futebol europeu, com vários técnicos a mostrarem sinais evidentes de desgaste e a ponderarem a demissão em momentos-chave. Entre eles, nomes sonantes como Arne Slot, Ruben Amorim e Eddie Howe parecem ter vivido temporadas que mais pareciam um filme de terror para quem comanda os destinos das suas equipas.
Arne Slot, atual treinador do Liverpool, terá mesmo oferecido a sua demissão após uma temporada marcada por altos e baixos dramáticos. Apesar da dolorosa eliminação na FA Cup frente ao Manchester City, a sua saída não se concretizou, já que ainda resta uma fase crucial na Liga dos Campeões, onde o Liverpool vai lutar por um lugar nas semifinais. No entanto, fontes internas revelam que Slot esteve à beira de abandonar o cargo numa época particularmente turbulenta para os treinadores, com o Liverpool a registar uma queda acentuada de rendimento desde a derrota diante do Paris Saint-Germain, o campeão europeu em título. Em novembro, a equipa sofreu três derrotas pesadas – contra Manchester City, Nottingham Forest e PSV – num mês negro que culminou num confronto público entre Slot e Mo Salah, deixando o treinador numa posição insustentável.
Outro nome que não escapou à pressão foi Ruben Amorim, que em dezembro parecia decidido a romper com o seu projeto no Manchester United. Fontes próximas do clube revelaram que o técnico estava “à procura da oportunidade para sair”, numa situação que já vinha a ser antecipada por comentadores como Richard Keys ao longo de quase um ano. Amorim, um treinador jovem e ambicioso, viu o seu percurso manchado por esta crise interna que abalou a confiança dos adeptos e da direção.
Entre os casos mais gritantes deste ano está também Eddie Howe, que viu a sua temporada desmoronar após um início promissor. Apesar das vitórias notáveis frente a Manchester United e Chelsea, a derrota humilhante frente ao Barcelona, por 8-3 no agregado da Liga dos Campeões, e a eliminação precoce da FA Cup contra o Sunderland, foram golpes fatais. Março foi o mês da verdade para Howe, que deveria ter, segundo muitos críticos, apresentado a demissão num gesto à la Kevin Keegan para salvar o que restava da sua reputação.
Outros treinadores também se destacaram pelas razões erradas, como Thomas Frank, cuja queda começou a tomar forma em novembro após uma série de maus resultados e uma polémica reação contra os adeptos do Tottenham. Nuno Espírito Santo protagonizou um dos episódios mais surreais da Premier League, quase a ser despedido duas vezes numa mesma temporada, e a sua saída do Nottingham Forest só aconteceu após várias provocações públicas do dono do clube, Evangelos Marinakis. Já Vítor Pereira, no Wolves, viu a sua época ser marcada por decisões estranhas, incluindo a aposta em jogadores altos e inexperientes na Premier League, culminando numa desastrosa sequência que deveria ter provocado a sua saída muito antes de novembro.
Oliver Glasner, Scott Parker e Enzo Maresca também foram citados como exemplos claros de treinadores que deveriam ter abandonado os seus cargos em momentos cruciais. Glasner, no Crystal Palace, revelou ter decidido não renovar o contrato já em outubro, mas manteve-se até ao final da temporada, o que enfraqueceu a sua imagem. Parker, no Bournemouth, viu-se ultrapassado pelo seu próprio clube, que o despediu para promover um treinador adjunto que conseguiu melhores resultados. Por fim, Maresca, no Chelsea, viveu “as piores 48 horas” da sua carreira em novembro, mas poderia ter saído já após vitórias impressionantes contra Barcelona e Arsenal, antes que a situação se deteriorasse.
Esta temporada tem sido uma verdadeira montanha-russa, com decisões tardias e momentos de crise que poderiam ter sido evitados se os treinadores tivessem ousado abandonar os seus cargos mais cedo. O futebol de topo não dá espaço para hesitações, e as histórias destes dez treinadores mostram que, por vezes, o melhor para todos é mesmo cortar o mal pela raiz. A pressão, os resultados e as dinâmicas internas exigem coragem para sair no momento certo, algo que nesta temporada tem faltado em demasia. A pergunta que fica é: quem será o próximo a fazer as malas antes que seja tarde demais?
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