Vítor Pereira lança farpas à Premier League: «Em Inglaterra não mudamos a data dos jogos, aqui ainda há flexibilidade»
O treinador Vítor Pereira não se conteve e deixou uma crítica implícita feroz ao rígido calendário da Premier League, após o empate do FC Porto frente ao Nottingham Forest (1-1) na primeira mão dos quartos de final da UEFA Europa League. Em declarações exclusivas à Sport TV, o técnico português evidenciou a diferença brutal entre a flexibilidade do futebol português e a inflexibilidade inglesa, onde não existe margem para alterar datas de jogos, mesmo em situações complicadas.
«Conversámos sobre o calendário, gostava muito de estar a salvo na Premier League, o jogo de hoje seria provavelmente completamente diferente», afirmou Pereira, sublinhando a pressão que a proximidade dos compromissos impõe à sua equipa. «Tenho de pensar que daqui a dois dias e meio, não três dias mas sim dois e meio, temos o Aston Villa. Em Inglaterra não mudamos os jogos, não há hipótese de alterar para segunda-feira. Aqui ainda há um pouco de flexibilidade, podemos alterar para segunda-feira, nós não. Tenho de pensar que daqui a menos de 72 horas temos de jogar contra o Aston Villa, num momento em que a equipa luta pela manutenção na Premier League. As substituições foram a pensar no Villa, tem de ser.»
A análise ao empate deixado no Dragão mostra um Vítor Pereira pragmático, satisfeito com o ponto conquistado, apesar das limitações evidentes do adversário, que vive uma luta feroz pela permanência na elite inglesa. «Saio satisfeito. O FC Porto foi mais forte, fiz nove alterações do último jogo para este. Tivemos alguma felicidade em concedermos só um golo, mas fizemos dois. Bonito seria se tivéssemos ganho 2-1. Levamos um bom resultado, a eliminatória está em aberto, estamos no intervalo. Vamos ver como corre contra o Villa e como poderemos jogar com o FC Porto em casa. Se estivéssemos numa situação segura na Premier League, o jogo seria diferente.»
O treinador não fugiu ao tema polémico do jogo: o golo anulado a Igor Jesus. Questionado, admitiu dúvidas claras e uma crítica velada à decisão da arbitragem. «Tenho muitas dúvidas, estou sem óculos e vejo mal. Não vi mão nenhuma. Tenho muitas dúvidas que seria decidido da mesma forma se fosse ao contrário.»
Na vertente táctica, Vítor Pereira revelou que preparou uma estratégia adaptada, quase como um jogo de xadrez, para responder às dificuldades do Nottingham Forest. «Nós preparámos duas estruturas porque quando não temos cão temos de caçar com gato, temos de arranjar uma estrutura para nos mantermos seguros. É por isto que decidimos em conjunto defrontar o FC Porto desta forma.»
O regresso ao Dragão trouxe emoção e nostalgia ao treinador português. «Muitas emoções, é um clube que respeito muito, tenho muita gratidão. A minha carreira foi impulsionada aqui, os títulos, muito sofrimento. Gostei muito do gesto do presidente, de ouvir os adeptos a baterem palmas, foi bonito.»
O confronto entre FC Porto e Nottingham Forest está longe de estar decidido, mas a postura aguerrida do treinador português deixa claro que, apesar das dificuldades, a equipa está preparada para lutar até ao fim. O calendário apertado e a pressão da Premier League pesam, mas Vítor Pereira parece determinado a tirar o máximo partido da flexibilidade que o futebol português ainda oferece. O duelo com o Aston Villa, em menos de 72 horas, promete ser um teste de fogo para a equipa de Vítor Pereira.
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