Jon Rahm apoia Sergio Garcia após polémica no Masters

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No cenário implacável de Augusta National, onde cada tacada exige uma mestria quase cirúrgica, o equilíbrio entre calma e precisão é sagrado. Contudo, durante a ronda final do Masters 2026, esse equilíbrio desmoronou-se, e quem acabou no centro das atenções foi o lendário Sergio Garcia, sob um fogo cerrado devido ao seu comportamento explosivo. Mas, surpreendentemente, não foi para se juntar à condenação que Jon Rahm, compatriota e estrela do golfe mundial, se pronunciou – optou antes por uma defesa ponderada e reveladora da pressão extrema que ambos enfrentaram.

“Não sei. Pode ser. Nem sempre me lembro com quem jogo, especialmente quando as coisas não correm bem,” confessou Jon Rahm numa conferência de imprensa, quando questionado sobre a sua experiência ao lado de Garcia. “Mas foi bom. Claramente, ele não estava a jogar como gostaria. Não foi um dia fácil para ele, e eu tentei dizer-lhe algo, levantar-lhe um pouco o ânimo. Senti-me exatamente no mesmo sítio que ele, nos últimos dias, por isso não tenho muito mais a dizer.”

O que Rahm descreve é um Sergio Garcia longe da sua melhor forma no derradeiro dia, marcado por um início desastroso. Depois de um bogey no Tea Olive, Garcia atirou o seu tee shot no Pink Dogwood para o meio dos arbustos, perdendo a compostura e partindo o seu driver em fúria no tee box. A destruição não ficou por aqui: quebrou também o próprio tee box e um cooler de água, numa explosão de frustração que custou caro. Geoff Yang, presidente do comité de competição do Masters, não tardou a intervir, emitindo um aviso formal no 4º tee: uma segunda infração traria uma penalização de dois golpes, e a terceira significaria desqualificação imediata.

Este episódio não era inédito para Garcia, que já tinha partido o seu driver em fúria no Open Championship de 2025, forçando-o a jogar a ronda final sem essa arma fundamental. No meio deste drama, surge um momento inusitado de camaradagem entre os dois espanhóis: enquanto Rahm lidava com um bunker, Garcia carregou a sua bolsa de golfe ao longo do fairway, trazendo um toque de leveza à tensão vivida.

Jon Rahm, bicampeão de majors e uma referência incontestável no panorama atual do golfe, viveu ele próprio uma tempestade durante o Masters 2026. Depois de uma ronda inicial devastadora de 6 acima do par (78), onde cometeu quatro bogeys e um duplo bogey num dos buracos mais traiçoeiros, o Azalea – considerado por Phil Mickelson mais fácil para fazer eagle do que para evitar erros –, Rahm viu-se a 12 tacadas dos líderes Sam Burns e Rory McIlroy, uma posição que minou completamente as suas aspirações.

Apesar de ter conseguido passar o corte com uma ronda sólida de 2 abaixo do par (70) no segundo dia, o terceiro dia voltou a ser complicado, com uma ronda a 1 acima (73), onde acumulou quatro bogeys e apenas três birdies. Este desempenho culminou num recorde pessoal negativo no Masters: a pior ronda de sempre, ultrapassando o seu anterior resultado mais alto com uma ronda inicial de 78, e pela primeira vez em dez participações consecutivas no torneio, Rahm não conseguiu registar um único birdie.

Com nove participações anteriores, incluindo a vitória em 2023, uma média de 71 tacadas por ronda, o seu melhor resultado individual de 65 e um total de prémios superiores a cinco milhões e meio de dólares, este Masters 2026 foi um golpe duro para Rahm. “Augusta é um campo difícil, sem sensação de swing. É preciso um esforço hercúleo para competir aqui,” admitiu, expressando a frustração que sentiu, especialmente após a confiança elevada pelo triunfo no LIV Hong Kong.

Esta identificação profunda com a pressão e as dificuldades vividas por Garcia explica a escolha de Rahm em responder com empatia em vez de críticas. Num ambiente onde a pressão pode quebrar até os mais fortes, Rahm optou por ser a voz da compreensão, lembrando a todos que, no Masters, nem sempre é só sobre tacadas – é sobre resistir à tempestade mental que o campo impõe.

Esta postura humana e realista de Jon Rahm não só revela a sua grandeza enquanto atleta, mas também ilumina as batalhas internas que os golfistas enfrentam longe dos holofotes. Sergio Garcia, apesar da condenação pública por conduta, encontrou em Rahm um aliado silencioso, provando que, no golfe, a solidariedade pode ser tão crucial quanto a técnica na busca pela glória em Augusta.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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