Carlos Alcaraz vive o pior pesadelo da sua curta carreira: a confirmação da sua ausência não só no Masters de Roma, como também no segundo Grand Slam do ano, Roland Garros, veio como um golpe devastador para o jovem prodígio espanhol e para o mundo do ténis em geral. A notícia, anunciada pelo próprio Alcaraz nas redes sociais, deixa claro que a lesão no pulso sofrida no Open de Barcelona é mais grave do que se temia e pode ter consequências dramáticas no seu futuro imediato.
O tenista de 20 anos, atual campeão do French Open, que conquistou de forma impressionante ao derrotar Jannik Sinner na final do ano passado, não poderá defender os 2.000 pontos tão preciosos conquistados em Roland Garros, nem os 1.000 pontos do Masters de Roma. A ausência prolongada coloca ainda em risco a sua participação em Wimbledon, a apenas três semanas do final de Roland Garros, o que pode resultar numa queda vertiginosa na classificação mundial da ATP.
“Após os resultados dos exames realizados hoje, decidimos que o mais prudente é ser cauteloso e não participar em Roma e Roland Garros, enquanto aguardamos a evolução da lesão para decidir quando regressarei aos courts,” afirmou Alcaraz. “É um momento complicado para mim, mas tenho a certeza que sairemos mais fortes daqui.”
Este revés não só compromete a capacidade de Alcaraz em manter o seu estatuto de número um mundial – especialmente depois da vitória no Open da Austrália em janeiro –, como também abre a porta para que rivais, como o italiano Sinner, se aproximem perigosamente no ranking. Se o espanhol demorar a regressar, poderá perder até 6.000 pontos, abrindo espaço para uma revolução na tabela de classificação.
Greg Rusedski, antigo número um britânico, deixou um alerta claro para a gestão do caso Alcaraz: “Ele precisa de olhar para o quadro a longo prazo. Tem uma carreira pela frente, cerca de 10 anos, e não pode arriscar uma lesão no pulso que pode comprometer tudo. Olhem para Juan Martín del Potro, que nunca recuperou totalmente da sua lesão. É essencial que se recupere 100% e não apresse o regresso.” Rusedski sublinha ainda que, apesar de a perda de pontos ser dolorosa, a saúde é o bem mais precioso, e que Alcaraz já provou o seu valor com sete títulos de Grand Slam, estando a apenas três de uma marca histórica.
A comparação feita entre a gestão física e emocional de Alcaraz e a do seu grande rival Sinner é reveladora. Enquanto Sinner opta por um calendário mais equilibrado e cuida rigorosamente da recuperação, Alcaraz tem uma abordagem mais intensa e, por vezes, menos disciplinada, combinando a sua paixão pelo ténis com uma vida social agitada. “Carlos gosta de divertir-se, sair, ir ao barco. Já Sinner é mais focado, mais sério na recuperação, com um cuidado especial ao descanso. É essa gestão que faz a diferença entre estar saudável ou lesionado,” explicou Rusedski.
Este cenário pinta um quadro preocupante para o jovem espanhol, que tem agora pela frente um desafio titânico: recuperar de forma completa para não deixar escapar o topo do ténis mundial e garantir que este revés não se transforma num ponto de viragem negativo na sua carreira. O relógio está a contar, e a pressão é imensa.
Com as próximas semanas decisivas, a única certeza é que Alcaraz terá de colocar a saúde em primeiro lugar para voltar a brilhar no circuito e continuar a desafiar os maiores nomes do ténis mundial. A ausência em Roma e Roland Garros é um duro golpe, mas pode ser também a chave para um regresso triunfante, mais forte e mais determinado do que nunca.
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