A ascensão meteórica do treinador interino pouco conhecido do Chelsea está a causar furor no mundo do futebol. Calum McFarlane, com apenas 40 anos, está a viver um verdadeiro turbilhão, passando de desconhecido a figura central no comando técnico dos Blues num momento crítico da temporada. Sem nunca ter sido jogador profissional nem treinador principal antes, McFarlane conquistou o seu lugar à custa de trabalho árduo, subindo desde os escalões de formação até ao topo do futebol inglês. Agora, com a saída de Liam Rosenior, é ele quem assume interinamente a liderança do Chelsea, enfrentando desafios monumentais.
McFarlane prepara-se para iniciar a sua segunda passagem como treinador interino num palco de sonho: Wembley. Curiosamente, até agora só lá tinha estado como espectador. A estreia do técnico foi em janeiro, quando substituiu Enzo Maresca por duas partidas, tendo conseguido um empate 1-1 frente ao Manchester City de Pep Guardiola, que contabilizava então a sua 1.012ª partida como treinador. Agora, com o Chelsea a atravessar uma crise profunda — cinco derrotas consecutivas na liga que os afastaram da Liga dos Campeões —, McFarlane tem pela frente uma missão quase impossível de inverter a maré.
As tensões no clube são evidentes, com protestos de adeptos a intensificarem-se e até ataques nas redes sociais a um dos clubes de base onde McFarlane começou a sua carreira, evidenciando o clima de instabilidade que o rodeia. Promovido de treinador dos sub-21 para treinador adjunto da equipa principal sob o comando de Rosenior, McFarlane não esconde a frustração com os últimos acontecimentos: “Estou desolado pelo que aconteceu esta semana. É um turbilhão, mas o que acontecer, acontecerá.” Afirma ainda que apesar das dificuldades, há talento de sobra no plantel: “Alguns destes jogadores estão entre os melhores do mundo nas suas posições. Ainda há crença dentro do grupo. Podemos virar isto e recuperar a temporada.”
Mas qual é a verdadeira história deste homem que agora carrega o peso do Chelsea nas costas? McFarlane nasceu e cresceu em Forest Hill, sul de Londres, e descreve-se como um “jogador falhado” que encontrou o seu caminho no treino de jovens. Teve passagens por clubes como Crystal Palace e Fulham em funções de formação, mas foi no Lambeth Tigers que uma reviravolta decisiva aconteceu. Foi lá que conheceu dois jovens noruegueses, filhos do antigo jogador do Tromso, Thomas Hafstad, que viria a abrir-lhe portas para uma experiência que mudou tudo.
Hafstad, que atuou 260 vezes pelo clube situado no círculo polar ártico, recorda: “Em 2012, passei um ano a observar academias por Inglaterra e percebi logo que o Calum era um treinador muito bom. Ele escutava os jogadores, rapazes de 11 e 12 anos, e entendia perfeitamente como trabalhar com eles.” O diretor técnico do Tromso levou McFarlane para a Noruega, onde este começou a treinar os sub-14, progrediu para os sub-19 e chegou mesmo a conduzir treinos da equipa principal durante uma época em que o clube estava em competições europeias. Hafstad não tem dúvidas: “Temos uma ligação forte e acredito que poderá ser um treinador de topo num futuro próximo.”
Depois da experiência nórdica, McFarlane regressou a Londres para trabalhar seis anos na Kinetic Foundation, uma instituição de caridade que apoia jovens desfavorecidos através do futebol e da educação. O seu trabalho na Kinetic tornou-se uma referência, tanto que dois outros treinadores formados pela fundação, Dan Hogan e Harry Hudson, também fazem parte do staff do Chelsea. No entanto, a ligação à fundação tem sido alvo de críticas e abusos por parte de alguns adeptos insatisfeitos com a atual crise do clube, algo que McFarlane lamenta profundamente.
Este é o retrato de um homem que, apesar de tudo, mantém a esperança e acredita na capacidade de recuperação do Chelsea. Calum McFarlane é a prova viva de que o caminho até ao topo pode ser feito com humildade, trabalho árduo e resiliência — uma história que está a ser escrita agora, num dos momentos mais complicados da história recente dos Blues. Se conseguir inverter a sorte da equipa e levar o Chelsea a uma final da FA Cup, poderá consolidar-se definitivamente como uma das grandes revelações do futebol inglês. A aventura está apenas a começar.
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