PGA Tour em crise: Evento em Trump National Doral com bancadas vazias

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O regresso do PGA Tour a Trump National Doral em 2026 foi um fiasco retumbante que está a provocar ondas de choque no mundo do golfe profissional. O que deveria ser um evento de assinatura, com um prémio de 20 milhões de dólares e os melhores jogadores do planeta em competição, transformou-se numa imagem desoladora: bancadas vazias, um campo quase deserto e um ambiente que mais parecia um treino do que uma final de um torneio de elite.

Cameron Young foi o grande vencedor, arrecadando 3,6 milhões de dólares, com uma exibição brilhante, mas poucos tiveram a oportunidade de testemunhar o seu triunfo ao vivo. Scottie Scheffler, número 1 do mundo, terminou a 13 abaixo do par, a seis tacadas do líder, partilhando o segundo lugar, mas até quando jogaram nomes como Rickie Fowler e Collin Morikawa, as bancadas continuavam notoriamente despovoadas.

Antes mesmo do início da competição, a lista de ausências já era preocupante: cinco dos 15 melhores jogadores do mundo, incluindo figuras de peso como Rory McIlroy, Xander Schauffele e Matt Fitzpatrick, optaram por não marcar presença. Este foi o maior número de ausências do top 15 numa prova de assinatura desde a criação do formato, um sinal claro da crise que assola o evento.

A história do Doral não ajuda: foi aqui que Tiger Woods construiu a sua lenda, vencendo o icónico Blue Monster por quatro vezes entre 2005 e 2013, enchendo as bancadas e criando uma atmosfera eletrizante. O contraste com o cenário atual é brutal e impossível de ignorar.

Enquanto isso, a rivalidade entre o PGA Tour e a liga saudita LIV Golf torna-se ainda mais evidente. Quando o PGA Tour abandonou Doral em 2016, a LIV tomou conta do local, promovendo quatro eventos consecutivos entre 2022 e 2025 com uma experiência para os fãs muito mais apelativa – estacionamento gratuito, concertos pós-jogo e uma verdadeira festa para os espectadores. As imagens desses eventos mostravam multidões vibrantes e um ambiente vivo, algo que o PGA Tour não conseguiu replicar mesmo após reassumir o controlo do torneio.

Para agravar a situação, o PGA Tour implementou um rigoroso controlo de segurança à semelhança da TSA nos Estados Unidos, o que fez aumentar significativamente os tempos de espera e afastou muitos potenciais espectadores. Esta decisão, justificada pelo Secret Service, acabou por ser mais um tiro no pé para um evento já fragilizado.

Brian Rolapp, CEO do PGA Tour, tentou vender o regresso a Doral como o início “de uma nova era” para os fãs em Miami, mas a reação nas redes sociais foi devastadora. Comentários indignados apontaram para o evento como uma verdadeira humilhação para a PGA e para o patrocinador Cadillac, que já tinha abandonado a ligação ao torneio em 2016. A ironia é que Donald Trump continua a ser o proprietário do campo, e a marca voltou a associar-se ao evento num contexto de bancadas vazias e desinteresse generalizado.

Os adeptos não pouparam críticas, referindo-se ao evento como um “constrangimento” e questionando o timing do torneio, que coincidiu com o Grande Prémio de Fórmula 1 em Miami e o Kentucky Derby, dois eventos que atraíram muito mais público. Além disso, as elevadas temperaturas típicas do início do verão em South Florida também não ajudaram a trazer multidões ao campo.

A substituição do Open do México pelo Cadillac Championship em Doral no calendário de 2026 foi amplamente criticada, especialmente por estar encaixado entre duas semanas consecutivas de competição intensa, algo que não agrada nem aos jogadores nem aos fãs. Adam Scott, membro do conselho do Tour, admitiu que a decisão não foi a ideal.

O preço dos bilhetes também não ajudou a atrair público, com passes diários a custarem 88 dólares, mais caro do que o próximo TOUR Championship em Quail Hollow. Comparações com outros eventos, como o WM Phoenix Open, que atrai entre 500 mil a 700 mil fãs durante a semana do torneio, tornam o fracasso de Doral ainda mais evidente.

Em suma, o Cadillac Championship em Trump National Doral foi um desastre para o PGA Tour, manchando a imagem do circuito e questionando o futuro do torneio neste local. Com bancadas visivelmente vazias e uma falta de entusiasmo geral, o regresso a Doral ficou marcado mais pela ausência de público e pelo descontentamento do que pela qualidade do jogo. Cameron Young pode até ter brilhado no campo, mas fora dele, a realidade é amarga e preocupante para o golfe profissional nos Estados Unidos.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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