Cesc Fàbregas não tem pressa para deixar o Como, apesar das especulações sobre um possível regresso à Premier League. O ex-internacional espanhol, agora treinador e investidor minoritário do clube italiano, revelou em entrevista que vê o futuro no futebol inglês apenas dentro de 12 a 15 anos, enquanto desfruta do controlo total que tem sobre o projeto ambicioso do Como.
Em três anos, Fàbregas levou o clube da Serie B até à Serie A, alcançou as meias-finais da Taça de Itália e está agora na luta por um lugar na fase de qualificação da Liga dos Campeões. O seu trabalho tem atraído a atenção dos gigantes Chelsea e Arsenal — dois dos seus antigos clubes enquanto jogador — mas o treinador mantém-se firme no projeto que está a construir no Estádio Sinigaglia.
“A Premier League é a melhor liga do mundo. Sempre fui muito claro sobre isso. Senti isso como jogador, sinto como treinador e como adepto. Mas Mourinho disse-me uma vez, quando eu estava no Chelsea, que ainda tinha 30 anos para trabalhar. Posso estar aqui mais 10 anos e só ir para a Premier League daqui a 12 ou 15 anos,” afirmou Fàbregas, lembrando a imprevisibilidade do futebol: “Num dia és o melhor, no outro és o pior. Por isso, prefiro aproveitar o momento e o que estamos a viver aqui.”
Fàbregas vai muito além do papel de treinador em Como. Além de ter chegado ao clube em 2022 como jogador, tornou-se acionista minoritário e ganhou a confiança plena dos proprietários bilionários, a família Hartono. “Eu tomo todas as decisões futebolísticas. O diretor desportivo trabalha comigo diariamente e partilhamos a mesma visão. As contratações são baseadas em dados e scouting, mas têm de ser jogadores em que eu acredite,” explicou, destacando a importância da autonomia que lhe foi concedida.
A sua influência é visível em todos os detalhes do clube, desde a infraestrutura até à filosofia de jogo. “Projetei o ginásio com o arquiteto. Aprendi com Arsène Wenger que o ginásio deve ter vista para o campo para os jogadores lesionados. O edifício era antigo, mas adaptei-o à minha maneira. Também mandei aumentar o relvado porque queremos jogar com posse de bola. Em Itália, disseram-me que devia ser menor para facilitar a defesa, mas a minha visão é diferente,” revelou.
Com o Como perto de garantir um lugar europeu, Fàbregas vê o projeto como algo ainda em construção, mas com potencial para se tornar um clube europeu de referência. “Começámos esta jornada praticamente do nada e já estamos à frente do planeado. Sinto que este clube tem um potencial enorme. Estou a aprender todos os dias, sinto-me como se estivesse na universidade, a tomar dezenas de decisões em várias áreas do clube.”
Apesar dos rumores que o apontavam para o cargo de selecionador da Itália, Fàbregas não tem pressa para abraçar esse desafio: “Se me perguntassem agora se quero ser treinador de uma seleção, diria que não. Amo treinar, estar no relvado todos os dias, trabalhar com jovens jogadores, fazer sessões individuais. Amo tudo isto.”
Cesc Fàbregas está a revolucionar o Como e a provar que o sucesso no futebol passa por visão, paciência e controlo total. O futuro do futebol italiano pode estar a ser moldado por este talento espanhol que não quer sair de cena tão cedo.
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