O Real Madrid está no epicentro de uma crise que já dura duas épocas consecutivas sem títulos, e as ondas de choque chegaram até Carlo Ancelotti, o mítico treinador italiano que conhece bem os corredores do Santiago Bernabéu. Em declarações exclusivas ao The Athletic, Ancelotti não poupou críticas à situação atual e deixou uma mensagem clara sobre o que falta no clube: liderança, comunicação e uma hierarquia firme.
O técnico, que deixou o Real Madrid em 2025 após quatro anos recheados de glórias — incluindo uma LaLiga e duas Champions League — não esconde a sua preocupação com a atual conjuntura merengue. “Tentei ter uma relação com a pessoa e não com o jogador. São apenas pessoas que jogam futebol”, afirmou, sublinhando a importância do lado humano no balneário.
Mas a notícia que está a incendiar o mundo do futebol é a “bênção” de Ancelotti para o regresso de José Mourinho ao Real Madrid. O treinador italiano não hesitou em elogiar o atual técnico do Benfica, considerando que Mourinho poderá ser a chave para tirar o clube da crise: “Ficaria muito feliz por ele. Pode fazer um trabalho fantástico, tal como sempre fez em todos os clubes por onde passou.” De salientar que Ancelotti e Mourinho têm uma história comum, já que o italiano sucedeu ao português no comando técnico dos merengues em 2013, e mantém uma relação de grande amizade.
Entretanto, Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, tentou afastar rumores numa conferência de imprensa de emergência: “Não pensava que me perguntassem sobre isso [risos]. Não estamos nesta fase do processo.” Todavia, a especulação não abrandou e o mercado está em fervura.
Ancelotti foi incisivo ao apontar um dos principais problemas do Real Madrid atual: a perda da velha guarda que fazia a diferença. “A velha geração de jogadores tem de ser reconstruída. Nos últimos anos, o Real Madrid perdeu jogadores realmente importantes: Casemiro, Kroos, Modric, Benzema, Nacho. O ambiente no plantel é fundamental, porque vem destes jogadores que têm caráter, personalidade e liderança”, explicou o treinador.
Para o técnico, a dificuldade não é falta de qualidade técnica, mas sim a ausência de equilíbrio e tempo para reconstrução. Ancelotti rejeitou categoricamente a ideia de que o plantel merengue resiste a qualquer modelo tático mais rigoroso, como aquele que Xabi Alonso tentou implementar: “Isso é um disparate total. Quando estive lá, tinha uma ideia e tentava discuti-la com os jogadores para perceber se concordavam ou não. Na final da Liga dos Campeões contra o Borussia Dortmund em 2024, trabalhámos assim. O jogador tem de fazer parte da ideia, não quero impor uma estratégia. Mas isso não significa que não haja uma estratégia.”
O italiano reforçou ainda a ideia de um futebol baseado no diálogo: “Falar com eles não é uma fraqueza. Não quero soldados em campo. Quero jogadores convencidos do que têm de fazer no relvado.”
Além do Real Madrid, Ancelotti deu pistas sobre o seu futuro e os desafios que enfrenta como selecionador do Brasil. O Mundial-2026 está no horizonte, e o treinador já definiu 24 dos 26 convocados, mas revelou que as lesões complicam as decisões finais: “Fico muito preocupado a ver jogos.” Sobre Neymar, Ancelotti não fechou a porta, mas foi realista quanto à condição física do craque do Santos: “Ele é um grande talento. O que temos de aferir não é se é capaz de passar a bola, mas sim se está em condições.”
O panorama do Real Madrid está turvo, mas com a aprovação de Ancelotti para o regresso de Mourinho, o clube pode estar prestes a embarcar numa nova era cheia de ambição e pressão para voltar ao topo. A batalha pelo trono do futebol europeu está mais quente do que nunca.
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