Sérgio Conceição desabafa: “Ser treinador do Milan não é para os fracos!” O técnico português não escondeu as dificuldades que enfrentou ao assumir o comando dos Rossoneri numa fase conturbada da temporada 2024-25. Em entrevista exclusiva à La Repubblica, Conceição revelou o peso esmagador da pressão, as traiçoeiras armadilhas do ambiente do clube e a falta de apoio que, na sua opinião, minaram a sua missão em San Siro.
Chegado a 30 de dezembro de 2024 para substituir Paulo Fonseca, Conceição assinou até ao final da época 2025-26, com uma cláusula de rescisão que o Milan não hesitou em ativar ao final da temporada, após a equipa falhar a qualificação para as competições europeias. O português, contudo, não escondeu que os seis meses que passou em Milão foram intensos e recheados de contradições.
“Jogávamos a cada três dias, treinávamos durante os jogos. Muito vídeo, pouco trabalho prático. Não me queixo, sabia no que me estava a meter, mas foi um desafio enorme”, admitiu. Apesar das dificuldades, Conceição conseguiu conquistar a Supercoppa Italiana logo nos primeiros dois jogos no comando e levou o Milan à final da Taça de Itália, embora a equipa tenha terminado apenas em oitavo lugar no campeonato — um desaire que pesou como uma tonelada.
O ex-treinador dos Rossoneri não escondeu a turbulência nos bastidores: “Ser treinador do Milan nunca é fácil. Estamos a falar de um clube com uma história de glórias na Champions League e de exigência máxima. Mas este foi um momento complicado. Após ganharmos a Supercoppa, um empate com o Cagliari foi suficiente para começarem a circular rumores sobre a minha saída, e ninguém os desmentiu.”
A instabilidade não ficou confinada ao banco de suplentes. Conceição revelou que a instabilidade institucional chegou ao balneário, afetando o desempenho da equipa: “Estive em balneários durante 25 anos e sei que a instabilidade do clube chega até aos jogadores. Jogar sem os adeptos, que desertaram a Curva, foi duro. E com as redes sociais, tudo o que se dizia contra nós chegava direto aos jogadores. Precisávamos de muito mais proteção da direção.”
Entre os poucos pontos positivos, o técnico destacou os líderes do grupo, elementos cruciais para manter a coesão sob pressão: “Um líder é alguém que dá o exemplo dentro e fora do campo. Pulisic e Gabbia foram os maiores líderes da equipa, mas não os únicos.”
Sérgio Conceição já seguiu para novos desafios na liga saudita, ao serviço do Al-Ittihad, mas a sua passagem pelo Milan ficará marcada pelas dificuldades, pela luta contra a instabilidade e pela enorme pressão que envolve ser treinador num dos clubes mais exigentes do mundo. A sua história é um alerta claro para as realidades cruéis do futebol de topo, onde o sucesso é efémero e a crítica é implacável.
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