Jannik Sinner entra no Roland Garros 2026 com um estatuto quase imbatível: 29 vitórias consecutivas e apenas duas derrotas de set no seu percurso este ano. Com o seu maior rival, Carlos Alcaraz, fora de combate devido a lesão, o caminho para a taça dos Mosqueteiros parece escancarado para o jovem italiano. Mas cuidado, alerta John McEnroe, uma lenda do ténis que conhece como poucos a pressão das competições de topo: a ausência de Alcaraz não elimina o maior inimigo de Sinner — ele próprio e a pressão que carrega.
McEnroe não tem dúvidas: “Quando perdes o Carlos, sobra mais pressão para o Jannik. Eu aposto nele contra todo o resto do campo, e acredito que muitos outros o façam também. Isso aumenta a pressão para ele”, confessou numa conversa exclusiva com o Tennis365, durante um evento da TNT Sports em Paris. O antigo campeão observou ainda momentos em que Sinner pareceu fisicamente esgotado, como frente a Spizzirri na Austrália e contra Medvedev recentemente. “Houve dois ou três episódios em que parecia que ele já não aguentava, mas ele conseguiu ultrapassá-los. Para mim, é aí que está a maior vulnerabilidade dele.”
Desde a última derrota no Qatar Open, Sinner conquistou títulos em Indian Wells, Miami, Monte Carlo, Madrid e Roma, confirmando o seu domínio absoluto nas pistas. Porém, os episódios em que a sua resistência física foi colocada à prova não podem ser ignorados. No Open da Austrália, por exemplo, o italiano sofreu cãibras tão intensas que quase não conseguia servir, perdendo o primeiro set para Eliot Spizzirri e encontrando-se em desvantagem no terceiro set. Uma pausa devido a uma regra de calor concedeu-lhe 10 minutos para recuperar, e Sinner deu a volta para vencer o encontro.
Mais recentemente, na meia-final do Open de Itália contra Daniil Medvedev, o cenário repetiu-se: tonturas, cãibras e náuseas ameaçaram derrubar o tenista. A partida foi interrompida pela chuva quando Sinner liderava, mas o diretor do torneio admitiu ter estado “seriamente preocupado” com o estado físico do italiano. Contudo, o tenista regressou no dia seguinte e concluiu o jogo em apenas 15 minutos.
Esta análise de McEnroe é particularmente perspicaz, pois revela que, apesar de Sinner não ter sido batido por adversários ou condições, o seu maior desafio pode residir na sua própria capacidade de resistir sob pressão extrema. A ausência de Alcaraz, que protagonizou com Sinner a final mais longa da história do Roland Garros em 2025 — um épico de cinco horas e vinte e nove minutos, com um super tiebreaker final inédito no torneio — muda o cenário, mas não alivia a pressão.
O confronto histórico entre Sinner e Alcaraz elevou o ténis mundial a outro patamar. No ano passado, Alcaraz recuperou de dois sets abaixo para derrotar Sinner num duelo de cinco sets que ficará para sempre na memória dos fãs. Agora, sem o seu principal rival, Sinner assume o papel de favorito absoluto, mas isso pode ser uma faca de dois gumes.
Na sua estreia no torneio em Paris, Sinner vai defrontar o 171.º do ranking mundial, Clément Tabur, num jogo aparentemente acessível. No entanto, este Roland Garros já registou surpresas devastadoras, com a eliminação precoce de nomes como Taylor Fritz e Emma Raducanu na primeira ronda, mostrando que nenhum favorito está imune a um desaire inesperado.
Se conseguir vencer em Paris, o italiano de 24 anos alcançará o seu quinto título de Grand Slam, conquistando o tão ambicionado Career Grand Slam. A comunidade do ténis, incluindo McEnroe, vê Sinner como uma força imparável, mas o maior adversário que enfrenta pode ser o peso de ser o favorito incontestável.
Este é o drama que promete incendiar as próximas duas semanas em Roland Garros: será que Jannik Sinner consegue resistir à pressão esmagadora e cimentar o seu lugar no panteão dos grandes do ténis, ou será que esta é a sua maior vulnerabilidade? A resposta está prestes a ser dada, e ninguém vai querer perder um segundo desta batalha épica.
Este artigo aparece primeiro em Apito Final.
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