O mundo do jornalismo de golfe está em choque após a notícia de que a icónica Sports Illustrated (SI) procedeu a despedimentos em massa, eliminando grande parte do seu plantel histórico dedicado ao golfe. Esta decisão dramática, fruto de uma aposta financeira falhada, está a deixar adeptos e especialistas furiosos e a questionar o futuro de uma das publicações desportivas mais respeitadas do planeta.
Em resultado de uma reestruturação promovida pela empresa-mãe Minute Media, cerca de 12% dos trabalhadores da Sports Illustrated foram dispensados, incluindo nomes consagrados como Bob Harig, Mike Rosenberg, John Schwarb e Jeff Ritter — verdadeiros pilares do jornalismo de golfe com décadas de experiência e conhecimento acumulado. A medida foi justificada por uma tentativa fracassada de investimento numa plataforma de vídeo com inteligência artificial, a VideoVerse, que acabou por ser abandonada por não corresponder às expectativas.
Kevin Van Valkenburg, jornalista da Fried Egg Golf, não poupou críticas: “Se querem perceber porque a Sports Illustrated está praticamente em cuidados paliativos, é por causa de decisões estúpidas como esta. Gastaram 200 milhões de dólares numa plataforma de IA que tiveram de abandonar porque não funcionava.” A VideoVerse, fundada em Mumbai em 2016, especializava-se em edição de vídeo para desporto e notícias, tendo entre os seus clientes entidades como a FIFA, UEFA Champions League e Wimbledon. Contudo, a aposta revelou-se um fiasco e o corte de pessoal serviu para amortecer as perdas.
A saída destes jornalistas representa uma perda irreparável para a cobertura do golfe. Bob Harig, com quase 40 anos de carreira e experiência prévia na ESPN e Tampa Bay Times, começou a sua ligação ao golfe como caddie nos subúrbios de Chicago antes de se licenciar na Indiana University e abraçar o jornalismo. Mike Rosenberg acumulava uma carreira exemplar de 53 anos, tendo iniciado em 1973 como freelancer. John Schwarb dedicou três décadas ao jornalismo desportivo em várias plataformas de renome antes de integrar a Sports Illustrated como escritor sénior. Jeff Ritter, com 20 anos de experiência, destacou-se pela sua cobertura premiada, incluindo o prestigiado Edward R. Murrow Award em 2016.
A revolta entre os adeptos foi imediata e veemente. Muitos manifestaram o seu desagrado pelas redes sociais, lamentando o declínio da qualidade informativa e editorial do magazine. Um adepto reconheceu as dificuldades: “As regras do jogo mudaram drasticamente para eles. Concordo que houve um erro geracional, mas foi uma transição difícil para a liderança que tinham.” Desde que a Authentic Brands Group (ABG) retirou a licença de publicação à Sports Illustrated em 2024, após um incumprimento financeiro, e a Minute Media assumiu o controlo, o rumo da publicação tem sido alvo de críticas intensas.
Outro adepto desabafou: “Ainda há bons escritores na SI, mas o produto final está tão pobre que é triste. Continuo a subscrever só por um ou dois artigos por mês.” A Sports Illustrated, fundada em 1954, foi durante quase sete décadas uma referência incontornável para os amantes do desporto. A saída destes jornalistas emblemáticos pode afetar irremediavelmente a qualidade da sua cobertura, sobretudo no golfe.
Para muitos, a solução seria simples: “Basta escrever boas histórias, tirar boas fotografias e publicá-las de forma cativante… Não é assim tão difícil. A Sports Illustrated foi uma leitura obrigatória para mim durante muito tempo. Não a lia só, lia de uma forma especial, demorando-me até à última página.” Contudo, a verdade é que bons jornalistas são raros, e figuras como Bob Harig são quase insubstituíveis.
A opinião generalizada aponta para um erro estratégico grave: “O maior erro foi tentar reviver a SI depois de quase ter morrido. Fui fã durante muito tempo, mas o negócio mudou e a SI não acompanhou. Honestamente, o brand já devia ter sido encerrado há muito.” Em 2019, a Sports Illustrated já tinha passado por uma vaga de despedimentos e fora vendida à ABG por 110 milhões de dólares, altura em que muitos consideraram que a marca perdera a sua autenticidade.
Apesar da nostalgia, a publicação parece estar em agonia, e mesmo alguns subscritores de longa data afirmam que só deixarão de a apoiar quando deixar de existir. A triste realidade é que a era dourada da Sports Illustrated parece estar a chegar ao fim, e o jornalismo de golfe sente-se mais pobre com a saída destes gigantes do sector. O futuro será agora um desafio para quem ainda acredita que a SI poderá renascer das cinzas.
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