Messi e Ronaldo: A despedida que nunca chega no Mundial de 2026

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Parecia o adeus perfeito ao futebol: Lionel Messi conquistara a glória máxima ao marcar dois golos na final do Mundial, um terceiro na decisão por penáltis e erguer a Taça do Mundo como capitão da Argentina, igualando a lenda Diego Maradona. Foi eleito o melhor jogador do torneio e da final, completando uma carreira que parecia inatingível. Contudo, quatro anos depois, o fenómeno argentino está de regresso para disputar o seu sexto Campeonato do Mundo, aos 39 anos, acompanhado pelo eterno rival Cristiano Ronaldo, já com 41. A idade, que outrora ditava a despedida, tornou-se meramente um número num futebol cada vez mais dominado pela ciência, motivação e interesses económicos.

O Mundial de 2026, a realizar-se nos Estados Unidos, promete ser o derradeiro palco para este grupo de veteranos que desafiam o tempo. Se em 2022 parecia o fim da linha, a verdade é que a longevidade dos craques é agora uma realidade alimentada por avanços na preparação física, regimes alimentares rigorosos, ambição inabalável, e até pela permissividade das associações e organismos que frequentemente anulam punições para manter as estrelas em campo.

Enquanto lendas como Pelé, Franz Beckenbauer, Johan Cruyff e Bobby Moore se despediram do Mundial ainda na casa dos 20 anos, hoje assistimos a jogadores a ultrapassarem os 35 e até a chegarem aos 40 em plena competição. Messi ultrapassou o recorde de Lothar Matthäus, com 25 jogos disputados em fases finais do Mundial. O alemão era um dos quatro jogadores — três mexicanos incluídos — que tinham participado em cinco edições. Messi e Ronaldo, presentes desde 2006, vão a caminho do sexto Mundial, um feito histórico. Luka Modric, que certamente faria parte deste grupo de intocáveis, falhou a qualificação da Croácia em 2010, mas mantém-se um exemplo de longevidade e qualidade.

Cristiano Ronaldo, que completa 41 anos em setembro, deverá atingir as 200 internacionalizações nos Estados Unidos, enquanto Messi poderá tornar-se um duplo centenário antes mesmo do apito inicial do Mundial. Curiosamente, em épocas passadas, grandes figuras como Geoff Hurst, Mario Kempes, Paolo Rossi ou Cruyff nunca chegaram sequer às 50 internacionalizações.

Modric é outro exemplo de um atleta que, já depois dos 30, levou a Croácia a patamares inesperados, acompanhado por Ivan Perisic, autor de um golo na final de 2018 e perto das 200 internacionalizações. James Rodríguez, herói da Colômbia em 2014 ao conquistar a Bola de Ouro do Mundial, viveu momentos difíceis recentemente, chegando a estar sem clube, mas mantém a sua relevância na seleção, tendo assinado um contrato temporário com o Minnesota United.

Esta nova geração de veteranos mostra que o futebol moderno não aceita despedidas fáceis. Quando a ciência, a paixão e o negócio se unem, até os mais velhos resistem ao inevitável. O Mundial de 2026 será, provavelmente, o último acto desta era de imortais em campo — mas até lá, preparem-se para mais capítulos épicos, com Messi, Ronaldo e companhia a desafiar o tempo e a história.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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