O cenário da Premier League prepara-se para uma verdadeira revolução no banco dos treinadores. Com a saída recente de Marco Silva, o próximo campeonato vai apresentar um alinhamento quase irreconhecível nas linhas laterais, onde apenas oito técnicos conseguiram ultrapassar a barreira do ano ao comando das suas equipas. Mas quem será o próximo a cair?
No topo da lista dos mais vulneráveis está Eddie Howe, treinador do Newcastle, cujo futuro está pendurado por um fio. Apesar de ter sobrevivido a uma reunião decisiva com os proprietários sauditas do clube, a temporada desastrosa — marcada por derrotas humilhantes, uma 12.ª posição na tabela e uma eliminação precoce na Liga dos Campeões — coloca-o numa posição precária. A saída iminente de jogadores-chave como Sandro Tonali, Tino Livramento, Lewis Hall e até Bruno Guimarães pode complicar ainda mais o seu trabalho, tornando o próximo verão crucial para a renovação da equipa. Se as coisas não melhorarem rapidamente, a cabeça de Howe poderá mesmo rolar.
David Moyes, no Everton, vive numa espécie de limbo. Embora tenha salvado o clube da descida, a frustração dos adeptos é palpável, com muitos a questionarem se o treinador escocês ainda tem capacidade para levar a equipa a patamares superiores. O 13.º lugar na liga e a ausência das competições europeias, que foram alcançadas por clubes como Brighton e Sunderland, deixam dúvidas sobre a continuidade do seu projeto. Moyes tem, pelo menos, o início da próxima temporada para provar o seu valor, mas um regresso ao passado poderá ser fatal.
No Leeds United, Daniel Farke continua a surpreender. Depois de ter estado à beira do despedimento logo após a subida de divisão, o treinador alemão conseguiu não só conquistar a permanência como mostrou uma equipa sólida. No entanto, no futebol, uma má série de resultados pode ser definitiva, e se o Leeds estiver novamente a lutar pela manutenção quando chegar o Natal, a saída de Farke poderá ser inevitável.
Keith Andrews, no Brentford, e Fabien Hurzeler, no Brighton, parecem estar mais seguros. Andrews, que ascendeu de treinador das bolas paradas a principal responsável, desafiou todas as expectativas na última temporada e tem crédito suficiente para resistir a um eventual declínio. Hurzeler, por sua vez, tem conquistado a confiança da direção apesar dos altos e baixos naturais de um técnico jovem, e a presença do Brighton na luta por competições europeias é um motivo extra para manter a estabilidade.
Regis Le Bris, do Sunderland, tem a difícil missão de conciliar a ambição europeia com a sobrevivência na Premier League, algo que já derrubou muitos treinadores de clubes recentemente promovidos. A sua manutenção no cargo demonstra que o clube acredita no seu projeto, mas o desafio que se avizinha é enorme.
Unai Emery, no Aston Villa, continua a ser um exemplo de sucesso e estabilidade, tendo conquistado a qualificação para a Liga dos Campeões e um troféu europeu, algo inédito para o clube nos tempos modernos. Apesar dos rumores de saída para um clube maior, a realidade financeira e o ambiente confortável em Villa Park tornam improvável uma mudança iminente.
Por fim, Mikel Arteta, no Arsenal, viu todas as dúvidas sobre o seu futuro dissiparem-se após a conquista da Premier League. Com um contrato quase a expirar e uma possível renovação iminente, o espanhol tem nas mãos o futuro do clube londrino, que está pronto para investir e sonhar com mais troféus. A não ser que outra equipa mude as suas intenções, Arteta parece estar longe de ser despedido.
A Premier League entra numa nova era de treinadores, onde a pressão é maior do que nunca e a luta pela sobrevivência no banco é feroz. Quem resistirá e quem será o próximo a ser despedido? A resposta ficará marcada nas próximas semanas, mas uma coisa é certa: os bancos das equipas inglesas vão tremer como nunca.
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