A eliminação de Aryna Sabalenka nos quartos-de-final do Open de França de 2026 veio envolta em polémica e num misto de frustração e reflexão profunda da número um mundial. A tenista bielorrussa, que vinha de uma sequência dominante de vitórias em sets diretos, viu o seu sonho de conquistar o título em Roland Garros esfumar-se perante a jovem revelação Diana Shnaider, num jogo marcado por condições atmosféricas adversas que, segundo Sabalenka, influenciaram decisivamente o desfecho.
Após a derrota por 3-6, 7-5, 6-0, Sabalenka não hesitou em criticar abertamente a decisão dos organizadores de manter o teto aberto no Court Philippe-Chatrier, apesar dos ventos fortes que sopravam naquele dia — relatos apontam para rajadas de cerca de 42 km/h. “Não percebo porque mantiveram o teto aberto quando havia vento tão forte. Parecia que estávamos a enlouquecer,” desabafou a tenista na conferência de imprensa pós-jogo. “Para mim, tornou-se mentalmente insuportável, senti que estávamos todos a perder o controlo.”
A estrela bielorrussa recordou ainda a polémica do ano anterior, quando enfrentou Coco Gauff na final do mesmo torneio. Apesar de ter começado a vencer por 4-1 no primeiro set, a sua agressividade foi minada pelas condições climatéricas, ao passo que no dia seguinte, na final masculina entre Carlos Alcaraz e Jannik Sinner, o teto esteve fechado para garantir condições mais estáveis. “No ano passado, para o nosso jogo, mantiveram o teto aberto, mas no dia seguinte fecharam-no para os homens. Pergunto-me porquê,” acrescentou Sabalenka, questionando a imparcialidade dos organizadores face às condições de jogo.
A derrota frente à sensação Diana Shnaider, que registou a melhor prestação da carreira ao alcançar as meias-finais de um Grand Slam, trouxe também um momento inédito para Sabalenka: foi o primeiro “pneu” que sofreu em mais de dois anos, um símbolo da sua queda abrupta. Abalada psicologicamente, a número um mundial admitiu mesmo ter ponderado abandonar o ténis: “Não tenho pensamentos, nem emoções. Só quero desistir do ténis agora. Mas vamos ver, espero conseguir recuperar-me mentalmente nos próximos dias.”
A polémica estendeu-se para além do court, com o antigo tenista Sam Querrey a apoiar Sabalenka publicamente durante o programa Nothing Major Show. Querrey defendeu que a derrota da bielorrussa não pode ser atribuída apenas ao vento: “Ela vencia por 6-3, 4-1, com duas quebras e a servir para o encontro. O vento não foi a causa principal. Shnaider trabalhou a bola melhor e Sabalenka desmoronou-se mentalmente. Quando o tempo está mau, o teto devia fechar-se para garantir condições justas.”
Diana Shnaider, por sua vez, reconheceu que a instabilidade emocional da adversária foi um factor decisivo para a sua vitória. “Vi momentos de frustração nela. Conheço a Aryna, é muito emotiva, como eu. Mas consegui manter-me focada e não deixar as emoções negativas atrapalharem o meu jogo,” afirmou a jovem tenista, que agora se prepara para defrontar a polaca Maja Chwalinska nas meias-finais.
A polémica sobre as condições de jogo em Roland Garros promete continuar a alimentar debates na comunidade do ténis. A exigência de Sabalenka para que o teto seja fechado em situações de vento forte para garantir igualdade competitiva poderá tornar-se um ponto de viragem na organização dos grandes torneios. Até lá, a número um mundial terá de se reerguer e encontrar respostas para o seu momento menos conseguido num dos palcos mais emblemáticos do ténis mundial.
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