Roberto Martínez valoriza vitória e preparação de Portugal antes do mundial

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Roberto Martínez surpreendeu ao afirmar, sem rodeios, que “a ideia não é ganhar 5-0 nem fazer um jogo brilhante”, minutos depois de Portugal ter superado a Nigéria por 2-1 no último teste antes do arranque do Mundial’2026. A vitória magra, mas estratégica, serviu como ensaio final para a equipa das Quinas, que mostrou solidez, mas deixou a fasquia da exibição em aberto para o que aí vem.

A selecção nacional defrontou uma Nigéria aguerrida no Estádio Municipal, num encontro onde o resultado esteve longe de ser o mais importante. Com golos de Rafael Leão e João Félix, Portugal garantiu o triunfo, mas o foco esteve claramente na preparação e na resposta táctica do plantel. O seleccionador nacional não escondeu que o adversário africano foi escolhido precisamente pela sua semelhança com a República Democrática do Congo, rival do grupo no Mundial, destacando a força e imprevisibilidade dos jogadores nigerianos.

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Este jogo revestiu-se de particular importância, não só por ser o último antes da competição mais aguardada do calendário futebolístico, mas também porque permitiu a Roberto Martínez testar quase todo o seu arsenal. Em apenas dois jogos de preparação, o técnico espanhol lançou 26 jogadores, uma aposta clara na profundidade e polivalência do grupo. A gestão individual de estrelas como Cristiano Ronaldo – que cumpriu o plano de jogar apenas 45 minutos – e de elementos como Nuno Mendes, Gonçalo Ramos, Vitinha e João Neves, todos com minutos controlados, mostra uma abordagem metódica e adaptada à exigência do torneio.

“Foi um particular com muito significado, jogar contra uma equipa africana. Estamos muito habituados a isso e será muito semelhante à RD Congo. Jogadores atacantes muito fortes, que utilizam os duelos muito bem. É importante ganhar e melhorar. Na 1.ª parte tivemos grandes oportunidades, e a Nigéria também acabou por ter algumas com o espaço dado por nós. A RD Congo também faz isso. Depois fizemos substituições e acrescentámos nível. A Nigéria não tem um remate enquadrado na 2.ª parte. Controlámos o jogo e estou muito satisfeito. Utilizámos 26 jogadores em dois jogos e estão todos prontos para o Mundial. Acho que foi um jogo muito bom para nós. A ideia não é ganhar 5-0, não é fazer um jogo brilhante, é ter um adversário difícil e contra o qual pudéssemos testar alguns aspetos”, declarou Roberto Martínez à RTP, sublinhando que o objectivo passou sempre por enfrentar dificuldades e ajustar processos.

Sobre a gestão de minutos das principais figuras, Martínez explicou: “O plano que tínhamos para o Cristiano, com a informação que temos, era jogar 45 ou 60 minutos. O Nuno Mendes também tinha um plano individual de 30 minutos, o Gonçalo Ramos também, o Vitinha e o João Neves de 45. O importante é trabalhar o aspeto individual, mas ter uma equipa que consegue terminar o jogo mais forte do que começou. E isso mostra o trabalho bem feito, o foco, a clareza na execução dos conceitos. Estamos muito mais bem preparados”, vincou o seleccionador, reforçando a ideia de um colectivo robusto e mentalmente preparado para os desafios que se aproximam.

Quando questionado sobre o onze inicial para o jogo crucial frente à RD Congo, Martínez foi taxativo: “Não tenho onze ainda. Temos muita clareza no que queremos. Há muitos jogadores a um bom nível e que podem fazer a mesma função e trabalho no relvado. O onze é consequência do trabalho até ao último dia e trabalhámos assim nos últimos três anos e meio. Tenho essa experiência e isso ajuda muito. A Seleção não trabalha com um onze, mas sim com jogadores que lutam para lá estar”. As suas palavras revelam a competição interna saudável e a confiança num plantel que privilegia o colectivo à individualidade.

Olhando para o Mundial, Portugal apresenta-se como uma das selecções mais equilibradas e preparadas, fruto de uma gestão que privilegia a análise de adversários e a versatilidade táctica. O teste frente à Nigéria serviu para expor limitações e pontos fortes, mas, acima de tudo, para consolidar o espírito de grupo. Com jogadores motivados e uma estratégia bem definida, a equipa das Quinas parte para o Campeonato do Mundo com ambição renovada e a expectativa de deixar uma marca indelével no maior palco do futebol mundial.

Os próximos dias serão decisivos para fechar o grupo de eleitos e afinar os detalhes finais. Martínez e a sua equipa técnica continuam atentos ao rendimento de cada jogador, prontos a ajustar a estratégia consoante as exigências dos adversários. Portugal chega ao Mundial com a lição bem estudada, determinado a transformar pragmatismo em conquistas e a mostrar que, mais do que o brilho individual, é o colectivo que faz a diferença nas grandes competições.

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