Roberto Martínez destaca época de João Félix e ambição no Mundial

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Uma morte trágica marcou o último teste de preparação da Seleção Nacional antes do arranque do Mundial, mas a resposta da equipa dentro de campo deixou Roberto Martínez satisfeito e confiante para os desafios que se aproximam. Portugal superou a Nigéria por 2-1 em Leiria, num jogo que serviu de ensaio final antes do início da maior competição de selecções do mundo, e o selecionador nacional não poupou elogios à atitude do grupo, destacando ainda a época extraordinária de João Félix.

O encontro, realizado na noite de quarta-feira, foi o último teste para Portugal antes do primeiro jogo no Mundial, e ficou marcado por uma vitória suada sobre a Nigéria. Martínez optou por rodar o plantel, dando minutos a praticamente todos os jogadores, e destacou: “É difícil utilizar todos os jogadores. É a primeira vez que se pode. Utilizámos isso muito bem. Dá mais exigência ao grupo.” O selecionador sublinhou a importância deste teste para avaliar o rendimento individual e colectivo, afirmando que “num clube é difícil, num espaço de Seleção então é fantástico conseguir melhorar na segunda parte.”

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O técnico espanhol não escondeu o entusiasmo com o momento de forma de João Félix, que considerou estar a atravessar “uma época brutal”, evidenciando inteligência e capacidade de decisão. “O João Félix está em momento muito bom, teve época brutal. Tem inteligência. Teve má sorte, a bola cruza a linha e merecia o golo”, lamentou Martínez, sublinhando que a estratégia para este jogo foi minuciosamente preparada e individualizada para cada atleta: “Tínhamos plano individual para todos. Chegámos a atingir isso.”

A vitória frente à Nigéria tem um peso especial na preparação de Portugal para o Mundial, não apenas pelo resultado, mas sobretudo pela possibilidade de experimentar diferentes soluções tácticas e testar a resposta do grupo a adversários fisicamente exigentes, semelhantes ao que se espera encontrar frente à RD Congo. Martínez explicou que “foi o adversário certo. Uma equipa muito semelhante ao Congo, com força física, capacidade de explorar espaços. Como teste foi muito bom, podemos mexer onze jogadores e ganhar o jogo. Mostra atitude do nosso grupo e fico muito satisfeito com o que fizemos nos dois jogos.”

Questionado sobre a gestão do tempo de jogo de Cristiano Ronaldo, Martínez esclareceu: “O plano individual é uma mistura da informação que temos, do que fazem na seleção, no clube. Assim preparamos planos individuais. O Diogo Costa era importante dar mais tempo, jogar 90'. O Bruno Fernandes jogou 90' com o Chile, o Cristiano tinha o plano de 45 e 60'; Vitinha 45'; Matheus Nunes depois de gastroenterite, era importante entrar em jogo. Atingimos o plano de todos os jogadores.” Desta forma, o selecionador deixou claro que cada decisão é pensada ao pormenor, tendo em conta o estado físico e o contexto de cada jogador.

Relativamente à abordagem táctica e ao que espera do próximo adversário, a RD Congo, Roberto Martínez foi peremptório: “Não é aspeto de preocupação, precisamos de trabalhar, alinhar conceitos para todos os adversários. A Nigéria mostrou o que a RD Congo pode fazer, arriscam muito nos duelos. É dar ou criar uma oportunidade. Antecipar o que pode acontecer num duelo é importante para a RD Congo. Mas foi executar aspetos de bola corrida, de bola parada. Sinto que a equipa está preparada, a situação perfeita precisa de chegar depois dos primeiros três jogos.”

Ainda assim, o treinador reconhece que há aspetos a melhorar. “Precisamos melhorar o que faz parte de uma seleção, sincronizar aspetos. As decisões são coletivas, melhorar muito as chegadas aos duelos. Os aspetos que sejam de um grupo, que agora estão no balneário a ser trabalhados de forma incrível. Fico muito contente. Os jogadores estão frescos. É o começo da época, não tenho a sensação que estão no fim da época. Mas falta a ligação, a intuição do que o colega vai fazer. É o processo que temos de melhorar.”

Olhando para o futuro e para o onze titular, Martínez foi claro: “Continuo a dizer, sou muito chato. Não há um onze inicial. No futebol moderno há 26 que podem ajudar. As ideias de como jogar contra a RD Congo são muito claras e há vários que as podem executar. É um erro pensar que tenho um onze, depois em quatro ou cinco dias vejo que há jogadores em melhor forma. Trabalhamos sempre com clareza no relvado, é uma valência. Não posso limitar o talento a onze jogadores. É um erro que não vou fazer. Temos jogadores de campo preparados para ajudar. Os que começam não quer dizer que vão começar todos os jogos. Precisamos de aproveitar bem o nosso talento.”

Portugal segue agora para o arranque do Mundial com a moral em alta e uma mensagem clara: não há lugares cativos e quem estiver melhor, joga. Roberto Martínez aposta numa gestão moderna e flexível do plantel, apostando na frescura física e no talento que, segundo o próprio, abunda nesta geração. Os próximos dias serão decisivos para consolidar processos e alinhar a equipa para o primeiro grande teste da competição. A fasquia está elevada, mas a ambição deste grupo de trabalho é notória e promete carregar as esperanças dos adeptos portugueses rumo a uma campanha memorável.

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