Zverev conquista Roland Garros mas final regista audiências históricas em baixa

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O choque foi total: a final masculina de Roland Garros de 2026 registou as piores audiências televisivas nos Estados Unidos dos últimos vinte anos, apesar de Alexander Zverev ter finalmente conquistado o seu tão aguardado primeiro título do Grand Slam, numa batalha épica de cinco sets frente ao surpreendente Flavio Cobolli. Um duelo decidido à última bola e recheado de reviravoltas ficou, no entanto, marcado pelo desinteresse do público americano, lançando o debate sobre o futuro do ténis de elite na era pós-Big Three.

O encontro decisivo do Open de França, transmitido em exclusivo pela TNT Sports, contou apenas com 1,3 milhões de espectadores no mercado norte-americano, número que representa uma queda abrupta de 25% face à final do ano passado entre Carlos Alcaraz e Jannik Sinner. Esta foi, sem margem para dúvidas, a final menos vista desde 2006, um dado que não passou despercebido aos responsáveis do circuito e aos patrocinadores. Embora o torneio deste ano tenha sido palco de surpresas e eliminações precoces dos principais favoritos, Zverev e Cobolli conseguiram evitar os desaires e chegaram com mérito à final, mas sem o apelo capaz de mobilizar multidões fora da Europa.

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A ausência das estrelas mais mediáticas, sobretudo de Alcaraz e Sinner, foi apontada como o principal motivo para o desinteresse. Os aficionados do ténis ansiavam por uma reedição do duelo explosivo de 2025, quando Alcaraz anulou três match points de Sinner para conquistar o seu segundo Roland Garros, num dos encontros mais memoráveis da última década. Este ano, no entanto, uma lesão no pulso afastou Alcaraz do torneio, enquanto Sinner caiu logo na segunda ronda, derrotado por Juan Manuel Cerundolo. Sem estes protagonistas, o público americano – já de si menos entusiasmado por finais sem representantes nacionais – desligou-se do evento.

Também a escassa presença de tenistas dos Estados Unidos no quadro principal contribuiu para o desaire nas audiências. Zachary Svajda foi o melhor americano, mas caiu nos oitavos-de-final frente ao próprio Cobolli. Taylor Fritz e Ben Shelton não foram além das primeiras rondas, enquanto Tommy Paul e Learner Tien, que tinham deixado boas indicações em torneios de terra batida, ficaram aquém das expectativas. Esta ausência de figuras locais apenas acentuou o desinteresse, sobretudo quando comparado com o apelo global de um Alcaraz ou Sinner.

Apesar do aparente desinteresse televisivo, a final entre Zverev e Cobolli não ficou isenta de drama. O alemão, depois de três finais perdidas em Grand Slam, mostrou nervos de aço para se impor no set decisivo e finalmente afastar o fantasma da “eterna promessa”. “Foi um dos momentos mais difíceis, mas também mais bonitos da minha carreira. Tentei manter a calma, sabia que esta poderia ser a minha última grande oportunidade”, confessou Zverev aos jornalistas logo após a cerimónia de entrega do troféu. Já Flavio Cobolli, que disputava a sua primeira final de um major, admitiu: “Sinto que dei tudo o que tinha. Esta experiência vai marcar-me para sempre. Parabéns ao Alexander, ele mereceu”.

A vitória de Zverev acaba por encerrar um ciclo de tentativas frustradas e pode relançar a sua carreira para novos voos, enquanto Cobolli confirmou o estatuto de revelação da temporada, depois de ter surpreendido Wimbledon com uma presença nos quartos-de-final no ano passado. No entanto, a fraca adesão do público americano ao maior evento de terra batida do mundo lança sérias dúvidas sobre a capacidade do ténis masculino em manter a relevância global sem as suas estrelas mais carismáticas.

O circuito prepara-se agora para a transição para a relva, com Wimbledon já no horizonte. O torneio londrino, que decorre entre 29 de Junho e 12 de Julho, promete novas emoções, mas voltará a não contar com Alcaraz, ainda a recuperar da lesão. Jannik Sinner, campeão em título, parte como favorito à conquista do seu primeiro major do ano, numa edição em que todos os olhos estarão postos em possíveis surpresas e na resposta dos americanos à crise de protagonismo. A incógnita mantém-se: conseguirá o ténis internacional recuperar o apelo perdido sem os nomes de sempre? Uma coisa é certa — a pressão está agora do lado dos organizadores e das novas estrelas para voltarem a conquistar o público e garantir que finais como a de Paris voltam a ser eventos obrigatórios no calendário desportivo mundial.

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