FIFA garante pagamento integral a árbitro Somali barrado nos EUA

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O escândalo rebentou à porta do Mundial: Omar Artan, árbitro internacional da Somália, foi impedido de entrar nos Estados Unidos para cumprir o maior sonho da sua carreira, mas vai receber integralmente o valor do prémio que seria pago aos árbitros do torneio. A FIFA confirmou que, apesar do impedimento e da ausência forçada, Artan não será prejudicado financeiramente, numa decisão que está a agitar os bastidores do futebol mundial.

Omar Artan, de 34 anos, viajou para Miami no início da semana com a missão de arbitrar jogos do Campeonato do Mundo, mas acabou detido pelas autoridades norte-americanas. Após 11 horas de interrogatório no Aeroporto Internacional de Miami, o árbitro viu o seu passaporte diplomático e visto de entrada única nos EUA serem rejeitados, sendo-lhe recusada a entrada no país. Segundo um porta-voz do governo dos EUA, a decisão baseou-se numa alegada “associação com suspeitos de organizações terroristas”. Durante o interrogatório, Artan foi confrontado com questões sobre possíveis ligações ao grupo militante Al Shabab da Somália, alegações que rejeitou veementemente.

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“Apenas sou um árbitro que está a tentar viver o seu sonho, o maior sonho da minha vida, que era vir ao Mundial”, afirmou Artan, visivelmente abalado, após regressar a Mogadíscio via Istambul com o apoio de representantes da FIFA, que o assistiram durante a escala. “Tinha toda a documentação em ordem, tinha o visto certo”, sublinhou, descrevendo o episódio como profundamente humilhante. Artan explicou ainda que desconhece por completo qualquer associação ao grupo mencionado, defendendo a sua total inocência.

A notícia abalou a comunidade internacional e levantou sérias questões sobre o tratamento desigual de árbitros africanos e sobre os critérios de segurança aplicados pelos Estados Unidos a personalidades do futebol mundial. A FIFA, pressionada por diversos organismos, garantiu que “independentemente de Artan não poder participar no Mundial, irá receber o valor integral do prémio acordado para os árbitros”. É importante salientar que os árbitros desconhecem o valor exato do prémio até ao final do torneio, sendo o montante revelado apenas após a competição.

O impacto deste incidente não se esgota no plano pessoal. Artan, eleito Árbitro do Ano da Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025, tornou-se o primeiro somali a dirigir uma final continental, apitando a segunda mão da final da Liga dos Campeões Africanos, em Junho de 2025, entre o Pyramids FC e o Mamelodi Sundowns. Também esteve presente no Mundial de Sub-20 no Chile, dirigindo três jogos, incluindo o encontro pela medalha de bronze, e encerrou o ano com duas presenças na fase de grupos da Taça das Nações Africanas.

Apesar do revés, a carreira de Artan parece longe de terminar. O árbitro já foi convidado para dirigir a Supertaça Europeia entre o Paris Saint-Germain e o Aston Villa, agendada para 12 de Agosto em Salzburgo, Áustria, numa clara demonstração de confiança por parte da UEFA. De regresso ao seu país, Artan foi recebido em festa e aproveitou para agradecer “ao meu povo e ao meu país”, garantindo aos jornalistas: “Vou continuar a lutar pelo meu sonho. Quero arbitrar no Mundial de 2030.”

Este caso lança um alerta sobre os obstáculos ainda existentes para árbitros vindos de países africanos em eventos de topo global e promete forçar a FIFA a rever as condições de entrada e tratamento dos seus oficiais. Para já, Artan volta a ser notícia não pelo apito, mas pela resistência e determinação em não desistir da sua paixão. O próximo capítulo da sua carreira joga-se já em Agosto, na Supertaça Europeia, mas fica no ar a questão: até que ponto o futebol internacional está livre de preconceitos e barreiras políticas? O desfecho deste episódio poderá influenciar futuras nomeações e a relação entre federações, organizadores e países anfitriões de grandes torneios.

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