O peso de ser campeão do mundo nunca foi tão esmagador como agora para a Argentina, que chega ao Mundial 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México com a obsessão de revalidar o troféu conquistado no Qatar. Só uma vitória consecutiva dará para satisfazer as expectativas de uma nação que respira futebol, uma tarefa que apenas o Brasil, há mais de seis décadas, conseguiu repetir. O plantel liderado por Lionel Scaloni carrega a honra e a pressão de tentar um feito raríssimo, sob o olhar atento de milhões.
A selecção argentina, campeã em título, aterra na América do Norte com uma base praticamente inalterada em relação à de 2022, reforçada pelo triunfo recente na Copa América de 2024 e por uma qualificação para o Mundial sem sobressaltos. Lionel Scaloni, o timoneiro que devolveu a glória a Buenos Aires, aposta claramente na continuidade, mantendo o núcleo duro que tão bem funcionou no Qatar. O combinado albiceleste vai enfrentar, na fase de grupos, Áustria, Argélia e Jordânia, adversários teoricamente acessíveis, mas o grande teste estará reservado para as fases a eliminar, quando poderão cruzar-se com potências como França, Brasil ou Espanha.

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O significado deste Mundial para a Argentina vai muito além do simples desejo de conquistar mais uma estrela. Para Lionel Messi, a lenda viva da modalidade, este será quase de certeza o último capítulo na maior montra do futebol mundial. Depois de ter levantado o troféu em 2022 e de somar já oito Bolas de Ouro, o astro de 38 anos procura não só o bicampeonato, mas também o recorde absoluto de golos em Mundiais, que pertence atualmente a Miroslav Klose. Mais quatro tentos e Messi escreverá mais uma página dourada na sua carreira, a jogar em território familiar, já que representa o Inter Miami. “Este Mundial é especial, pode ser o último. Quero desfrutar ao máximo, ajudar a minha equipa e lutar por tudo”, afirmou Messi em entrevista antes do arranque da competição, ciente do peso emocional que carrega cada vez que entra em campo.
Apesar da aura de favoritismo, paira sobre a Argentina uma sensação de falsa segurança. A selecção de Scaloni brilhou na qualificação sul-americana, mas a verdade é que, desde outubro, só enfrentou adversários de segundo plano em jogos particulares: Venezuela, Porto Rico, Angola, Mauritânia, Zâmbia, Honduras e Islândia. Todos esses encontros foram vitórias fáceis, mas sem verdadeiro teste de fogo. “Temos de estar preparados para qualquer adversidade, porque os jogos grandes só vêm depois”, alertou o médio Enzo Fernández, questionado sobre a falta de confrontos com selecções do topo mundial. Esta opção por não defrontar equipas de elite antes do Mundial pode revelar-se um erro estratégico, caso a equipa seja apanhada de surpresa por adversários mais fortes nas rondas decisivas.
A par da pressão desportiva, o plantel argentino vive também sob o olhar atento do mercado de transferências, que decorre em simultâneo com o torneio. Vários nomes do onze campeão estão no centro das atenções: Julián Álvarez, do Atlético de Madrid, tem sido alvo de negociações intensas com o Barcelona e o Real Madrid; Enzo Fernández prepara-se para sair do Chelsea, com vários gigantes espanhóis atentos à sua situação; Cristian Romero poderá mudar de ares e Alexis Mac Allister tem sido fortemente associado ao Liverpool. A instabilidade provocada por estas movimentações pode ter impacto no rendimento de alguns jogadores, que tentam manter o foco no objectivo comum.
Com a fasquia no máximo, resta saber se a Argentina conseguirá gerir a pressão de ser campeã em título, dar a Messi a despedida que o mundo deseja e vencer as batalhas fora das quatro linhas. Caso ultrapasse os primeiros testes sem sobressaltos, a equipa ganhará moral para encarar os gigantes europeus e sul-americanos nos quartos ou meias-finais, onde o rigor táctico e a experiência serão decisivos. Se Messi e companhia voltarem a erguer o troféu, entrarão definitivamente no restrito panteão dos imortais do futebol mundial. Até lá, cada minuto será vivido com intensidade máxima, num Mundial que promete ser explosivo para a albiceleste.
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