Cristiano Ronaldo prepara-se para protagonizar um feito inédito: disputar o seu sexto e último Campeonato do Mundo, um marco nunca antes alcançado por qualquer futebolista português. Aos 41 anos, o capitão da selecção nacional está a um passo de entrar definitivamente para a história do futebol mundial, não só pela longevidade, mas também pelo potencial para bater uma série de recordes que continuam a escapar-lhe. Portugal inicia a sua campanha frente à República Democrática do Congo, na próxima quarta-feira, e todas as atenções estarão centradas no homem que, independentemente do desfecho, já é uma lenda viva.
Com um palmarés absolutamente extraordinário – cinco Ligas dos Campeões, cinco Bolas de Ouro, títulos nacionais em quatro países distintos, duas Ligas das Nações e um Campeonato da Europa – só lhe falta mesmo erguer o troféu mais cobiçado do planeta. A obsessão de Ronaldo pela perfeição mantém-no em campo e, apesar de estar a 27 golos dos mil, o número redondo que persegue, o Mundial de 2026 pode muito bem marcar o seu derradeiro grande palco internacional. Caso alcance a glória máxima, será um final de carreira de sonho; caso contrário, restar-lhe-á sempre o legado de uma carreira sem paralelo.

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Este Mundial reveste-se de importância acrescida não só para Ronaldo, mas também para o futebol português. A oportunidade de conquistar o único troféu que lhe falta é a narrativa central, mas os recordes individuais estão igualmente em jogo. Se marcar um único golo, Ronaldo tornar-se-á o primeiro jogador da história a marcar em seis fases finais de Mundiais, ultrapassando nomes como Pelé, Miroslav Klose ou Lionel Messi. No capítulo das internacionalizações, Cristiano soma 22 presenças em fases finais da competição, sendo apenas superado por Messi, com 26. No entanto, se Portugal chegar à final e Ronaldo participar em todos os jogos, poderá terminar a carreira com 29 presenças e ultrapassar o argentino.
Outro recorde à vista é o de jogador mais velho a marcar numa final de Campeonato do Mundo. O actual detentor é Nils Liedholm, que tinha 35 anos e 264 dias quando marcou em 1958, mas Ronaldo, caso alcance a final e marque, baterá largamente esta marca, pois terá então 41 anos, 5 meses e 14 dias. Também poderá tornar-se o jogador mais velho de sempre a disputar uma final, superando Dino Zoff, que actuou pela Itália aos 40 anos e 133 dias, em 1982. E, se marcar em qualquer jogo, pode ainda destronar o seu antigo companheiro de equipa, Pepe, como o jogador mais velho de sempre a marcar num Mundial.
“Ronaldo tem uma relação quase doentia com a superação. Nunca está satisfeito, nunca desiste e nunca se contenta com o segundo lugar”, afirmou o seleccionador português, Roberto Martínez, na conferência de imprensa de antevisão ao torneio. O próprio Ronaldo não escondeu a ambição: “Vou dar tudo até ao último minuto. Quero sair de cabeça erguida, com a sensação de dever cumprido”, disse o avançado português ao canal oficial da FIFA, mostrando que a chama competitiva continua bem acesa.
No entanto, o legado de Ronaldo no Campeonato do Mundo é, até ao momento, menos brilhante do que o seu estatuto sugeriria. Apesar de ter marcado em cinco edições consecutivas, soma apenas oito golos – nunca mais do que um por edição em quatro dos cinco Mundiais disputados. E a melhor prestação colectiva remonta a 2006, quando Portugal atingiu as meias-finais, há já 20 anos. O próprio contexto das selecções portuguesas de 2010 e 2014, que não estavam à altura das melhores gerações nacionais, não ajudou, mas a verdade é que o título mundial continua a fugir-lhe.
Agora, perante aquela que é quase certamente a sua última oportunidade, Ronaldo enfrenta o maior desafio da carreira: transformar o seu nome num sinónimo de sucesso também no maior palco do futebol mundial. Se conquistar os recordes mencionados, entrará para a história com seis marcas individuais, algo sem precedentes. No entanto, para que isso aconteça, terá de chegar à final – caso contrário, apenas três desses recordes estarão ao seu alcance.
O que se segue é uma incógnita, mas uma coisa é certa: o Mundial de 2026 será a última dança de Cristiano Ronaldo. Portugal depende da inspiração do seu capitão para sonhar com o impossível e Ronaldo sabe que cada minuto em campo pode ser o último da sua carreira internacional. Os próximos jogos vão definir não só o desfecho da selecção nacional, mas também o epílogo de uma das carreiras mais brilhantes da história do desporto. A pressão é máxima, as expectativas são titânicas e o mundo estará de olhos postos naquela que poderá ser a consagração final de Cristiano Ronaldo.
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