Após 36 anos de jejum, a Áustria regressou às vitórias no Campeonato do Mundo, batendo a estreante Jordânia por 3-1, num duelo electrizante em São Francisco que deixou os adeptos em delírio e lançou os austríacos para a liderança do Grupo J. A vitória foi carimbada apenas nos instantes finais, com um penálti convertido por Marko Arnautovic já para lá dos 90 minutos, após um jogo de nervos e reviravoltas, onde até houve espaço para um autogolo dramático.
O Levi’s Stadium, em São Francisco, recebeu 68.527 espectadores para assistir ao arranque do Grupo J do Mundial de 2026, com a Áustria a defrontar uma Jordânia que se estreava na maior prova do futebol mundial. O marcador foi inaugurado aos 21 minutos por Romano Schmid, que assinou um golo de levantar o estádio com um remate colocado de fora da área — foi, de resto, o único remate enquadrado dos austríacos na primeira parte. A Jordânia, longe de se deixar intimidar, respondeu de imediato, com Ali Olwan a cabecear à barra apenas dois minutos depois, mostrando que os asiáticos vieram para discutir o resultado.

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A reviravolta jordaniana consumou-se logo a abrir a segunda parte, com Olwan a apontar um golaço aos 50 minutos. Num lance individual de classe, o avançado rematou em arco ao poste mais distante, sem hipóteses para o guarda-redes austríaco, inscrevendo assim o nome na história do futebol jordaniano com o primeiro golo do país em Mundiais. O empate fez tremer a Áustria, que só conseguiu reagir após uma tripla substituição operada por Ralf Rangnick. Arnautovic, lançado ao intervalo, chegou mesmo a marcar aos 67 minutos, mas o golo foi anulado após análise do VAR devido a mão de Stefan Posch na sequência do lance.
Foi preciso esperar até aos 76 minutos para a Áustria voltar a respirar de alívio: na sequência de um canto, o defesa Yazan Al Arab desviou inadvertidamente a bola para a própria baliza, permitindo o 2-1 para os europeus. A Jordânia acusou o golpe e já não conseguiu incomodar o último reduto austríaco, que controlou as operações até final. No entanto, ainda estava reservado mais drama para o tempo de compensação: já no 12.º minuto de descontos, o VAR voltou a entrar em acção, desta vez para assinalar penálti por mão de Saleem Obaid, que bloqueou um remate de Arnautovic. O veterano austríaco não tremeu e fixou o resultado final em 3-1.
Este triunfo é de importância vital para a Áustria, que não vencia um jogo no Mundial desde 1990 e que regressa à competição após uma ausência de 28 anos. O resultado oferece confiança à equipa de Ralf Rangnick, mas também serve como aviso: a exibição, apesar dos três golos, esteve longe de ser brilhante e será preciso elevar o nível já no próximo jogo frente à poderosa Argentina, que chega embalada pelo hat-trick de Lionel Messi diante da Argélia. “Sabíamos que seria um jogo difícil. A Jordânia mostrou qualidade e não nos facilitou a tarefa. O importante era ganhar e conseguimos”, afirmou Marko Arnautovic no final do encontro, sublinhando o espírito combativo da equipa.
Do lado jordaniano, o seleccionador Hussein Ammouta elogiou a entrega dos seus jogadores e destacou o momento histórico vivido pela nação: “Este foi um jogo inesquecível para a Jordânia. Mostrámos coragem e qualidade. O golo do Olwan ficará para sempre na memória dos nossos adeptos”, referiu Ammouta em conferência de imprensa.
Com esta vitória, a Áustria assume a liderança do Grupo J e parte motivada para o embate com a Argentina, sabendo que terá de melhorar, sobretudo na eficácia ofensiva e na solidez defensiva. Já a Jordânia deixa uma imagem positiva na sua estreia mundialista e prepara-se agora para medir forças com a Argélia, num jogo onde sonha somar os primeiros pontos da sua história em Campeonatos do Mundo. Segue-se uma ronda crucial, onde a margem de erro é zero e onde cada golo pode ser decisivo para o destino das selecções. O Mundial está ao rubro e São Francisco foi apenas o palco do primeiro grande drama deste Grupo J.
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