O regresso da Áustria ao palco mundial foi marcado por uma vitória suada e polémica, arrancada a ferros diante da estreante Jordânia, por 3-1, num duelo do Grupo J que deixou os adeptos europeus em êxtase e os jordanos incrédulos com o desfecho. O autogolo fatídico de Yazan Al Arab, já na segunda parte, virou o encontro e catapultou a selecção comandada por Ralf Rangnick para a liderança do grupo, lado a lado com a poderosa Argentina.
A partida decorreu em Santa Clara, nos Estados Unidos, local onde a Áustria, ausente de fases finais desde 1998 e sem qualquer vitória em Mundiais desde 1990, procurava finalmente quebrar o enguiço. Os austríacos adiantaram-se logo aos 20 minutos, graças a um remate certeiro de fora da área de Romano Schmid, que apanhou o guarda-redes Abulaila desprevenido. Contudo, a resposta da Jordânia, que se estreava em fases finais, foi digna de registo: Ali Olwan empatou o encontro aos 50 minutos, numa jogada rápida que apanhou a defesa europeia em contrapé.

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A pressão austríaca intensificou-se à medida que o relógio avançava, mas a barreira defensiva da Jordânia, bem organizada e aguerrida, ia travando todas as investidas, alimentando a esperança de uma estreia de sonho. No entanto, aos 76 minutos, a história do jogo mudou radicalmente. Um lance infeliz de Yazan Al Arab, que desviou a bola para a própria baliza após um cruzamento venenoso, colocou novamente a Áustria em vantagem e desfez a resistência asiática, que até aí tinha sido notável.
O desespero tomou conta da Jordânia nos minutos finais, enquanto a Áustria tentava controlar o ritmo e evitar surpresas desagradáveis. Já em tempo de compensação, aos 90'+12', Marko Arnautovic, lançado já na segunda parte, selou o resultado com um penálti irrepreensível, afastando definitivamente qualquer hipótese de reacção jordaniana. O experiente avançado não escondeu a emoção após o apito final: “Foi uma vitória muito importante para nós. Sabíamos que seria um jogo complicado, mas mostrámos maturidade quando foi preciso”, declarou Arnautovic, ainda no relvado, em declarações à imprensa internacional.
O seleccionador austríaco, Ralf Rangnick, fez questão de sublinhar a dificuldade do encontro e o mérito da sua equipa: “Não foi um jogo fácil. A Jordânia surpreendeu-nos com a sua intensidade e organização. Tivemos de ser pacientes e lutar até ao fim. Este triunfo é fundamental para as nossas aspirações”, afirmou Rangnick na conferência de imprensa pós-jogo.
Do lado da Jordânia, o sentimento era de orgulho, apesar da derrota. O capitão, Baha' Abdel-Rahman, destacou o espírito de luta da sua selecção: “Mostrámos ao mundo que a Jordânia está pronta para competir ao mais alto nível. Saímos de cabeça erguida”, comentou, ainda visivelmente emocionado pela estreia em Mundiais.
Este resultado reveste-se de enorme importância para a Áustria, que iguala assim a Argentina no topo do Grupo J, depois de os sul-americanos terem derrotado a Argélia por 3-0. Para os austríacos, um triunfo logo na jornada inaugural é um passo de gigante rumo aos oitavos-de-final, quebrando uma longa maldição e devolvendo ambição à sua massa adepta. Já a Jordânia, apesar da derrota, deixou sinais muito positivos e promete continuar a surpreender, mantendo intacta a esperança de ainda poder lutar pelo apuramento.
Segue-se agora um teste de fogo para ambas as selecções na próxima ronda. A Áustria defronta a campeã em título Argentina, num duelo de alto risco que poderá definir as contas da qualificação. A Jordânia, por sua vez, enfrenta a Argélia, numa partida onde só a vitória interessa para manter vivo o sonho de seguir em frente. O Mundial de 2026 promete emoções fortes e a Áustria já mostrou que está de regresso para lutar entre os grandes, enquanto a Jordânia, mesmo derrotada, conquistou respeito e deixou a promessa de que não será mero figurante nesta edição histórica.
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