Harry Kane chega ao Mundial dos EUA como o avançado mais letal do planeta e, esta quarta-feira, Inglaterra procura vingar fantasmas antigos frente à Croácia, numa estreia de cortar a respiração em Dallas. A equipa comandada por Thomas Tuchel entra em campo com uma aura de invencibilidade, após uma campanha de qualificação imaculada: oito jogos, oito vitórias, 22 golos marcados e, impressionantemente, zero sofridos.
O embate coloca frente a frente uma Inglaterra em crescendo e uma Croácia experiente mas envelhecida, num confronto que pode marcar o início da caminhada rumo à redenção inglesa, 60 anos depois do mítico título de 1966. O histórico recente favorece os ingleses: não perdem frente aos croatas desde a fatídica meia-final do Mundial 2018, onde caíram no prolongamento. Desde então, nas três partidas disputadas, os ingleses mantiveram-se invictos. Do outro lado, a Croácia, liderada pelo incombustível Luka Modric, chega a Dallas após um ciclo de seis jogos com 11 golos marcados mas 10 sofridos, sinal claro de que a solidez defensiva já não é o seu cartão-de-visita.

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A importância deste encontro ultrapassa o simples arranque de fase de grupos. As duas selecções sabem que um mau resultado pode comprometer seriamente as aspirações à qualificação num Grupo L onde não há margem para deslizes. Para Tuchel, a pressão é tremenda: “Queremos pôr a segunda estrela na camisola e acabar com 60 anos de espera”, assumiu o alemão, numa conferência de imprensa que colocou todas as expectativas em cima dos ombros ingleses. O seleccionador não fugiu ao tema do legado, admitindo que “não podemos continuar a falhar nos momentos decisivos. Esta geração está preparada para tudo dar nos Estados Unidos”.
As escolhas polémicas de Tuchel para o plantel continuam a ser tema quente. A ausência de nomes como Phil Foden, Cole Palmer e Trent Alexander-Arnold gerou críticas ferozes dos adeptos e especialistas. “Se falharmos, sei que estas decisões vão ser colocadas em causa”, reconheceu o técnico, mostrando-se consciente do risco. O avançado Harry Kane, por seu lado, mantém o foco: “Estamos prontos para mostrar ao mundo que somos candidatos. O passado não nos assusta”, afirmou, após apontar o golo decisivo no particular frente à Nova Zelândia, numa exibição que não dissipou todas as dúvidas depois dos empates desapontantes contra Japão e Uruguai em Março.
No lado croata, o técnico Zlatko Dalic também não esconde a ambição, mas sabe que a sua equipa terá de superar limitações físicas e tácticas. Modric (40 anos), Perisic (37), Kramaric (34) e Kovacic (32) continuam a ser as referências, mas será suficiente frente à intensidade e velocidade dos ingleses? “Vamos lutar até ao fim. Sabemos que ninguém acredita em nós, mas adoramos calar os críticos”, lançou Modric, na antevisão do encontro, determinado a transformar o que pode ser o seu último Mundial num conto de fadas.
As estatísticas não mentem: Inglaterra apenas perdeu uma das últimas oito partidas de estreia em Mundiais, enquanto a Croácia soma apenas um triunfo nas cinco mais recentes. No entanto, os croatas atingiram as meias-finais nas duas últimas edições, provando que sabem crescer com as dificuldades e que a experiência também conta nestes palcos.
As lesões constituem outra dor de cabeça para Tuchel. Bukayo Saka continua em dúvida e dificilmente será arriscado nesta estreia, enquanto Tino Livramento está fora do torneio. Assim, Trevoh Chalobah poderá ser chamado para o lado direito da defesa, provavelmente a par de Reece James, companheiro no Chelsea. Na frente, Anthony Gordon ou Marcus Rashford deverão explorar a lentidão da defesa croata, numa estratégia que aposta na velocidade e potência para desequilibrar.
A estratégia de Dalic poderá passar por um esquema com três centrais e cinco médios, tal como testou frente à Bélgica. Essa abordagem pode travar a circulação de bola inglesa, mas oferece espaço nas costas para os ingleses explorarem com passes longos, aproveitando a rapidez dos seus extremos. O perigo croata pode residir em Petar Musa, avançado do FC Dallas, que leva 12 golos em 13 jogos este ano e actuará perante o seu público, determinado a deixar a sua marca.
Este duelo promete ser muito mais do que um simples jogo de abertura. A Inglaterra está obrigada a confirmar o favoritismo e a mostrar que aprendeu com as quedas recentes. Uma vitória lançará imediatamente a equipa de Tuchel para a dianteira do grupo e reforçará a candidatura ao título. Para a Croácia, pontuar será vital para manter vivas as esperanças de repetir outra caminhada épica. Todos os olhos estarão postos em Dallas para ver se a nova Inglaterra é finalmente capaz de quebrar o enguiço ou se a velha guarda croata vai voltar a surpreender o mundo.
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