Aryna Sabalenka ficou devastada após a surpreendente eliminação nos quartos-de-final de Roland Garros, num colapso que a deixou sem forças nem vontade de continuar a competir. A bielorrussa, número 2 mundial, não só desperdiçou uma vantagem considerável frente à jovem Diana Shnaider, como acabou por perder dez jogos consecutivos, incluindo um humilhante 6-0 no set decisivo. Mais chocante ainda foi a sua reacção após o encontro: Sabalenka admitiu, visivelmente abalada, que só queria “desistir do ténis” e libertar a frustração “destruindo tudo”.
A tenista, que inicia esta semana a sua campanha em relva no WTA de Berlim frente à russa Ekaterina Alexandrova, revelou entretanto que procurou ajuda psicológica para tentar compreender o que está a levar a estes desaires em momentos decisivos. Na conferência de imprensa de antevisão ao torneio alemão, Sabalenka explicou: “Falar com um terapeuta foi realmente útil, mudou muitas coisas para mim. Sinto que esse é o segredo para nos mantermos no topo: estar sempre à procura de algo, daquele um por cento que faz a diferença.” A bielorrussa afirmou ainda: “Estou sempre à procura. Sei que não preciso de mudar muito, conheço as minhas forças e fraquezas. Tento manter-me clara quanto ao panorama geral do que se está a passar.”

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Jason Stacy, treinador de performance de Aryna Sabalenka, partilhou também a sua perspectiva sobre este momento de crise emocional. Em declarações ao Tennis365, Stacy esclareceu: “Sinceramente, não senti grande emoção em relação a isso. Percebi o que estava a acontecer. Ela perdeu o rumo, perdeu tudo aquilo que a caracteriza. Vamos deixá-la passar por esse processo, dar-lhe espaço, e quando for o momento certo vamos conversar e perceber o que ficou, mas não reagi com muita emoção.” O técnico acrescentou que, apesar de ser natural querer intervir, a equipa optou por dar-lhe tempo: “Obviamente parte de mim queria ir ajudá-la. Queremos sempre resgatar quem gostamos, mas também sabemos que ela tem de passar por isto sozinha e encontrar o seu caminho. Senti-me mal por toda a equipa, ninguém gostou de viver aquilo, mas não alimentei demasiado o momento. Ela deixou o coração à mostra e disse ‘Aqui estou eu’.”, concluiu Stacy.
Este desaire em Paris acontece depois de Sabalenka ter sido finalista vencida em Roland Garros no ano passado, onde perdeu para Coco Gauff após liderar o marcador. Já este ano, também na final do Open da Austrália, não conseguiu ultrapassar Elena Rybakina. Apesar destes reveses em grandes palcos, Sabalenka já conquistou três títulos em 2026 — incluindo a defesa do título em Brisbane e triunfos em Indian Wells e Miami, onde bateu Rybakina e Gauff — mas o trauma dos grandes torneios parece continuar a assombrá-la.
A importância desta notícia reside no impacto psicológico que a pressão dos grandes palcos pode ter até nos mais talentosos atletas. Sabalenka, conhecida pela agressividade e intensidade em campo, viu-se confrontada com os seus próprios limites emocionais, expondo uma vulnerabilidade rara a este nível. O facto de recorrer a apoio psicológico demonstra uma nova abordagem no ténis de elite, cada vez mais atento ao bem-estar mental dos jogadores.
Agora, todas as atenções viram-se para Berlim, onde Sabalenka tenta reerguer-se e conquistar o primeiro título de sempre em relva, superfície onde já disputou duas finais, mas sem vitórias. O confronto frente a Alexandrova — com quem tem um histórico equilibrado (4-4) — será um verdadeiro teste à sua capacidade de resposta mental e competitiva. Além disso, aproxima-se Wimbledon, onde Sabalenka já foi semifinalista por três ocasiões (2021, 2023 e 2025), mas nunca chegou ao título. O desempenho em Berlim poderá ser determinante para a confiança com que chegará ao All England Club.
Se conseguir ultrapassar este turbilhão emocional e reencontrar o seu melhor ténis, Sabalenka pode relançar a candidatura a novos títulos do Grand Slam. Caso contrário, aumentam as dúvidas quanto à sua capacidade de lidar com a pressão em momentos decisivos. O mundo do ténis observa atentamente: estará Sabalenka pronta para responder à adversidade e provar que é, de facto, uma das grandes figuras da modalidade? O próximo capítulo joga-se já esta semana, em Berlim, onde a resiliência da bielorrussa será posta à prova.
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