Quatro golos e uma exibição demolidora: a estreia da selecção dos Estados Unidos no Grupo D frente ao Paraguai deixou o mundo do futebol em estado de choque e relançou a esperança dos adeptos norte-americanos para o Mundial 2026. O responsável máximo por esta autêntica revolução tem nome de peso: Mauricio Pochettino, o novo seleccionador dos EUA, que promete virar a página e levar a equipa a patamares nunca antes alcançados.
Mauricio Pochettino, argentino de 52 anos, foi anunciado em Setembro de 2024 como o novo comandante da selecção masculina dos Estados Unidos, após a polémica saída de Gregg Berhalter. O encontro inaugural do grupo, realizado no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, foi o primeiro grande teste da era Pochettino – e a resposta foi avassaladora: quatro golos sem resposta ao Paraguai e o topo da classificação logo à primeira jornada. Esta performance contrastou de forma gritante com a última presença dos EUA num Mundial, marcada por uma eliminação insípida frente à Holanda (derrota por 3-1), e serviu de cartão-de-visita para o novo estilo, intensidade e ambição que Pochettino imprimiu ao plantel.

O MUNDIAL 2026 VIVE-SE COM A LEGO
A chegada de Pochettino à selecção dos EUA representa não só uma aposta de risco por parte da federação, mas também um claro sinal de ambição para a edição do Mundial que se joga em casa, em 2026. O técnico, que se destacou como jogador no Espanyol e Paris Saint-Germain, fez nome como treinador nos principais palcos europeus: Tottenham Hotspur, PSG e Chelsea. Apesar de um palmarés modesto para o estatuto que ostenta – apenas um título de campeão francês, uma Taça de França e uma Supertaça, todos conquistados em Paris –, Pochettino é mundialmente reconhecido como um dos mais brilhantes estrategas da sua geração, sobretudo pelo trabalho desenvolvido no Tottenham, onde transformou um plantel irregular numa máquina competitiva capaz de atingir a final da Liga dos Campeões em 2019.
O estilo de Pochettino assenta numa filosofia de futebol ofensivo, pressing alto e aproveitamento vertical dos flancos, com os laterais a assumirem um papel quase de extremos. Esta abordagem já começou a dar frutos nos EUA, onde talentos como Antonee Robinson e Sergiño Dest beneficiam da liberdade táctica para potenciar o jogo ofensivo. Em declarações após o triunfo inaugural, Pochettino não escondeu o seu entusiasmo: “Senti uma energia incrível dos jogadores e dos adeptos. Estamos a construir algo especial. Acredito que esta equipa pode surpreender muita gente”, afirmou, visivelmente satisfeito com a resposta dada em campo.
Pochettino, que assinou um contrato de dois anos válido até ao final do Mundial 2026, aufere cerca de seis milhões de dólares por época, colocando-se como o terceiro seleccionador mais bem pago do mundo, apenas atrás de Thomas Tuchel (Inglaterra) e Carlo Ancelotti (Brasil), segundo dados divulgados por plataformas especializadas em salários desportivos. O argentino, no entanto, já fez saber que não se compromete para além deste ciclo competitivo: “Estou totalmente focado neste projecto, mas no futebol nunca se sabe o dia de amanhã”, comentou, deixando no ar a possibilidade de regressar ao futebol de clubes após o torneio.
A trajectória de Pochettino como treinador é marcada por uma taxa de vitórias de quase 49% em mais de 650 jogos oficiais, com passagens notáveis por Espanyol, Southampton, Tottenham, PSG e Chelsea. Em Paris, a sua percentagem de vitórias superou largamente a média, fruto de um plantel recheado de estrelas, mas foi em Londres, ao serviço dos Spurs, que cementou a reputação de mestre táctico e potenciador de jovens talentos.
Antes de se afirmar como treinador de topo, Pochettino foi um defesa-central combativo, formado no Newell’s Old Boys, clube onde também despontou Lionel Messi. No Espanyol viveu os melhores anos da carreira, com mais de 300 jogos pelo emblema catalão e uma breve passagem pelo PSG. Internacional argentino por 20 vezes, integrou as convocatórias para a Copa América de 1999 e o Mundial 2002, sempre sob o comando do seu mentor Marcelo Bielsa.
No plano pessoal, Pochettino é casado desde 1994 com Karina Grippaldi, de ascendência italiana, e tem dois filhos com ligações ao futebol: Sebastiano, que integra a equipa técnica como elemento da preparação física, e Maurizio, futebolista profissional em Andorra. Apesar da fama, o seleccionador mantém a discrição familiar, raramente expondo a vida privada.
O impacto imediato de Pochettino nos Estados Unidos deixa antever uma selecção rejuvenescida, confiante e capaz de ombrear com os melhores. O próximo desafio será manter o ritmo e a consistência exibicional nos restantes jogos do grupo, consolidando o estatuto de candidato surpresa e alimentando o sonho de uma campanha histórica no Mundial em solo americano. Caso consiga, Pochettino não só gravará o seu nome na história do futebol norte-americano, como poderá redefinir o estatuto dos EUA na elite do futebol mundial, abrindo portas para um novo ciclo de ambição e resultados.
AGORA PODE ACOMPANHAR O MUNDIAL DE FUTEBOL COM TODA INFORMAÇÃO – AQUI
