Ibrahimovic criticado pelos adeptos do Milan por papel como comentador nos EUA

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Zlatan Ibrahimovic está a ser alvo de uma onda de críticas devastadoras nos Estados Unidos, poucas semanas depois de ter sido fortemente contestado pelos adeptos do AC Milan devido ao seu novo papel como comentador televisivo para o Mundial de 2026. O ex-avançado sueco, actualmente conselheiro sénior da RedBird — o grupo de investimento que detém o clube milanês —, vê assim a sua reputação arrastada pela lama em dois continentes, numa altura em que o Milan atravessa uma das maiores crises de liderança da última década.

A polémica rebentou quando foi anunciado que Ibrahimovic iria integrar a equipa de comentadores da Fox Sports durante o próximo Campeonato do Mundo, a decorrer nos Estados Unidos, Canadá e México. O anúncio levantou sérias dúvidas junto dos adeptos e dirigentes do Milan, já que o clube estava sem treinador há semanas (Rúben Amorim só foi oficializado esta terça-feira) e continua sem director desportivo, director técnico ou CEO — um vazio directivo preocupante, sobretudo a menos de quinze dias do arranque oficial do mercado de transferências de verão. Em vez de se concentrar em ajudar a reerguer o clube num momento crítico, Ibrahimovic optou por embarcar na aventura televisiva, decisão que muitos consideram um abandono inadmissível das suas responsabilidades para com o emblema de San Siro.

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No entanto, as críticas não se ficam pela escolha de timing. A qualidade do contributo de Ibrahimovic enquanto comentador tem sido impiedosamente questionada, tanto pela imprensa especializada como pelo público. O prestigiado The Athletic não poupou nos adjectivos ao descrever a dinâmica entre Ibrahimovic e Alexi Lalas, antigo defesa da selecção norte-americana, como “desconfortável” e “artificial”. O artigo publicado esta semana foi taxativo: o programa da Fox seria “melhor com menos Zlatan, menos Lalas”. Segundo a análise, o sueco revelou desconhecimento preocupante ao admitir, em directo, que “nunca tinha ouvido falar” de Jesse Marsch, o seleccionador norte-americano do Canadá, enquanto comentava um jogo da equipa canadiana perante milhões de telespectadores nos EUA.

Além disso, Ibrahimovic foi acusado de confiar demasiado na sua persona de excesso de confiança, numa postura que já roça o esgotamento e que, para muitos, já não convence. O The Athletic sublinha que, ao lado de Thierry Henry, o sueco fica claramente a perder: “A arrogância de Zlatan pode funcionar no balneário, mas, em estúdio, só o torna menos interessante e mais previsível”, pode ler-se. O artigo recomenda à Fox que aposte mais na capacidade de análise de Ibrahimovic sobre finalização e inteligência táctica dentro de campo, e que reduza drasticamente o tempo de antena de Alexi Lalas, cuja presença é considerada “desgastante”.

Esta sucessão de críticas ganha ainda maior relevância no contexto do Milan. O clube encontra-se num momento de transição e carece de figuras fortes e presentes nos bastidores, sendo que muitos adeptos culpam a ausência de Ibrahimovic dos dossiers do futebol profissional, precisamente quando mais se exige liderança e visão estratégica. A nomeação de Rúben Amorim para treinador principal foi vista como um primeiro passo para devolver estabilidade ao plantel, mas persiste o sentimento de abandono relativamente às estruturas directivas, onde a influência de Ibrahimovic seria, à partida, determinante.

Face ao escalar da contestação, Ibrahimovic não reagiu publicamente, mas é expectável que nas próximas semanas se veja pressionado a clarificar as suas prioridades. O impacto destas polémicas poderá arrastar-se para o arranque da nova temporada, condicionando não só a sua imagem junto dos adeptos do Milan, mas também o futuro da sua colaboração com a Fox Sports. Entre a insatisfação crescente em Itália e a recepção gélida nos Estados Unidos, Zlatan encontra-se, pela primeira vez desde que pendurou as chuteiras, verdadeiramente encostado às cordas.

Os próximos passos serão decisivos: o Milan precisa urgentemente de uma liderança forte para navegar o defeso e preparar a época 2024/25, e a Fox terá de repensar a forma como utiliza as estrelas do seu painel de comentadores para evitar novo embaraço mediático. Ibrahimovic, conhecido por nunca fugir a desafios, terá agora de provar que consegue ser tão influente fora das quatro linhas como foi dentro delas — sob pena de ver o seu legado manchado por uma série de decisões e actuações que, até agora, só têm servido para alimentar a controvérsia.

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