Rory McIlroy lidera início do U.S. Open com dois objectivos em jogo

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Rory McIlroy deixou o mundo do golfe em suspense ao liderar isolado o U.S. Open durante cerca de uma hora, após uma exibição de força e controlo sob condições atmosféricas extremamente desafiantes em Shinnecock Hills. O golfista norte-irlandês terminou a primeira volta com um resultado de 69 (-1), colocando-se desde já entre os principais candidatos à vitória, apesar de dois bogeys consecutivos a fechar o percurso o terem afastado provisoriamente do topo da tabela.

A jornada inaugural do U.S. Open, disputada esta quinta-feira em Southampton, Nova Iorque, foi marcada por ventos constantes de 32 km/h e rajadas ainda mais intensas, exigindo máxima concentração e precisão de todos os jogadores. McIlroy, que iniciou o percurso nos segundos nove buracos devido ao atraso provocado pelo nevoeiro matinal, mostrou logo ao que vinha ao arrancar dois birdies nos três primeiros buracos. O grande momento do dia surgiu no par-5 do quinto buraco: com um drive monstruoso de 362 metros — o mais longo da manhã —, seguiu-se um putt de 3,3 metros para eagle, o primeiro que regista num U.S. Open desde 2017.

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No final da volta, McIlroy não escondeu alguma frustração por ter deixado escapar a liderança: “No geral foi um dia realmente bom”, reconheceu, sublinhando também os erros finais. “Obviamente, custa terminar assim.” Apesar disso, o resultado deixava-o apenas a um shot do primeiro classificado provisório, Sam Stevens, um norte-americano de 29 anos ainda sem qualquer triunfo no PGA Tour.

A competição arrancou sob o efeito de um denso nevoeiro, obrigando a organização a atrasar todos os tee times em duas horas. McIlroy acabou por beneficiar de condições algo mais estáveis na sua fase inicial, mas rapidamente percebeu que Shinnecock Hills não perdoa distracções: os greens, frequentemente criticados em edições anteriores por serem excessivamente rápidos, foram este ano deliberadamente abrandados — a pensar nas previsões de vento forte. “Os greens estão bastante lentos e muito receptivos”, explicou o norte-irlandês, defendendo a decisão da organização: “Acho que tinham mesmo de o fazer. É um campo desafiante por si só e, se juntarmos vento de 48 km/h, é um verdadeiro teste para os melhores jogadores do mundo. Foram prudentes na preparação do campo.”

O peso histórico desta semana não passa despercebido. McIlroy, recentemente vencedor do Masters em 2025 e novamente em Augusta este ano, persegue agora dois objectivos de carreira: igualar Harry Vardon, lendário inglês do início do século XX, como europeu mais titulado em Majors (sete troféus) e conquistar o U.S. Open numa das catedrais do golfe americano. “Gostava de ficar conhecido como o europeu mais bem-sucedido de sempre”, afirmou o golfista em Novembro de 2024. Este fim-de-semana, pode finalmente juntar esse feito ao palmarés e cimentar o seu estatuto de lenda.

A ambição de conquistar um U.S. Open num palco clássico como Shinnecock Hills é explícita: “Se tudo correr como todos querem, em termos de meteorologia e preparação, acho que é o melhor teste de campeonato deste país”, disse McIlroy antes do início do torneio. Esta vontade ganhou ainda mais força depois do desaire do ano passado em Pinehurst, onde desperdiçou uma vantagem de dois shots nos últimos buracos e falhou putts decisivos a menos de 1,2 metros. “Foi por isso que Pinehurst me custou tanto — era uma oportunidade perfeita para ganhar um verdadeiro U.S. Open, com greens duros e secos. Se tivesse vencido, ninguém podia dizer que não o consegui dessa forma”, confessou recentemente ao Fried Egg Golf.

McIlroy tem agora a possibilidade de entrar ainda mais na história: caso vença, será o único jogador a registar 15 anos entre títulos no U.S. Open, superando o recorde de Hale Irwin (11 anos). Além disso, poderá tornar-se apenas no sétimo jogador a conquistar o Masters e o U.S. Open no mesmo ano, juntando-se a nomes míticos como Tiger Woods, Jack Nicklaus e Arnold Palmer.

Com três voltas ainda por disputar e uma lista de adversários de respeito, o próximo capítulo promete ser de cortar a respiração. A pressão está ao rubro, mas McIlroy mostrou que está à altura dos maiores desafios. Se mantiver o nível apresentado e resistir à tempestade que se avizinha — em sentido literal e figurado —, poderá finalmente fechar o círculo e consolidar-se como o mais brilhante golfista europeu de todos os tempos. O U.S. Open 2025 pode muito bem entrar para a história do desporto mundial, e todos os olhos vão estar postos em Rory McIlroy nos próximos dias.

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