Um erro clamoroso do guarda-redes Kim Seung-gyu lançou o México para os oitavos de final do Mundial, tornando-se a primeira selecção a carimbar o passaporte para a fase a eliminar e incendiando o ambiente em Guadalajara com emoção e incredulidade. O golo solitário de Luis Romo foi suficiente para garantir não só a vitória sobre a Coreia do Sul, mas também o domínio absoluto no Grupo A, com duas vitórias em dois jogos — uma qualificação imaculada que coloca já o México a sonhar com voos mais altos nesta competição histórica, que organizam em casa.
O encontro, disputado esta noite no Estádio Jalisco, ficou marcado por um primeiro tempo pobre, sem grandes ocasiões de perigo, com ambas as equipas a demonstrar mais cautela do que ambição ofensiva. Os adeptos mexicanos, impacientes e ansiosos nas bancadas, viram a sua frustração transformar-se em euforia logo aos 50 minutos, quando uma sequência caótica dentro da área sul-coreana mudou por completo o rumo dos acontecimentos. Após um cruzamento mal aliviado pela defesa asiática, Kim Seung-gyu, sob pressão, precipitou-se ao tentar agarrar a bola, colidiu com o seu próprio colega Lee Gi-hyuk e acabou por largar o esférico — Romo, sempre atento, limitou-se a encostar para o fundo das redes desertas, selando o destino do jogo.

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Este triunfo não só garante ao México o apuramento imediato, como também assegura o primeiro lugar no grupo e o tão desejado regresso ao mítico Estádio Azteca para o duelo dos 16 avos de final — e, caso avancem, também para os oitavos. A importância deste feito é inegável: com o apoio fervoroso dos seus adeptos e jogando em solo sagrado, os mexicanos reforçam a candidatura a uma campanha memorável, enquanto outras selecções ainda lutam pela sobrevivência nesta fase de grupos imprevisível.
No rescaldo do jogo, Javier Aguirre, seleccionador mexicano conhecido pelo seu pragmatismo táctico, não escondeu a dificuldade sentida: “Foi difícil. Conhecemo-los muito bem. Eles colocaram-nos sob muita pressão. Não nos deram espaço, e nós também não demos. No final, sentia-se que um erro seria sempre decisivo para um lado ou para o outro. Não foi um grande jogo e o adversário não nos permitiu fazer muito”, afirmou Aguirre, visivelmente aliviado mas consciente das limitações apresentadas pelo seu plantel esta noite.
Do outro lado, apesar do desaire, o seleccionador sul-coreano Hong Myung-bo manteve-se confiante quanto ao futuro da sua equipa na competição. “Jogámos exactamente como planeámos. A forma como sofremos o golo foi decepcionante. Vamos dar tudo no último jogo da fase de grupos. Pedi aos jogadores para se manterem calmos e jogarem o nosso futebol. Não foi mau. Mantivemos a compostura ao longo do jogo. Agora vamos focar-nos na preparação para o próximo encontro”, declarou Hong, apostado em garantir a passagem aos oitavos com, pelo menos, um empate frente à África do Sul na próxima quarta-feira.
As oportunidades de resposta da Coreia do Sul intensificaram-se nos minutos finais, com o guarda-redes mexicano Raul Rangel a brilhar ao negar o empate a Cho Gue-sung, num cabeceamento à queima-roupa, e a Yang Hyun-jun, num remate de recarga. A muralha mexicana segurou a preciosa vantagem, demonstrando nervos de aço sob pressão e uma solidez defensiva que poderá ser determinante nos próximos desafios.
Com este resultado, o México prepara-se para uma nova jornada épica diante dos seus adeptos, carregando a responsabilidade de manter o sonho vivo e, quem sabe, transcender as expectativas históricas. Para a Coreia do Sul, o objectivo é claro: evitar erros fatais, recuperar a moral e garantir o apuramento frente aos sul-africanos. O desfecho do Grupo A promete emoção até ao último minuto, mas para já, Guadalajara celebra a sua selecção — e todos os olhares estão já postos no Estádio Azteca, onde a próxima batalha da armada mexicana irá escrever mais um capítulo desta saga mundialista.
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