Scheffler soma 10 rondas seguidas sem bater o par no U.S. Open

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Scottie Scheffler voltou a ser protagonista pelos motivos errados no US Open de 2026, ao alcançar um recorde indesejado que começa a assombrar a carreira do norte-americano. O número um do mundo assinalou a sua 10.ª volta consecutiva neste major sem conseguir quebrar o par, uma estatística que surpreende e choca adeptos e especialistas, sobretudo num jogador que entrou como o principal favorito e que celebrava o seu 30.º aniversário.

Depois de ter terminado o primeiro dia em Shinnecock Hills com 2 acima do par, Scheffler viu prolongar-se a sua série infeliz de jornadas sem abaixo do par neste torneio, um ciclo que teve início na ronda final do US Open de 2023 em Los Angeles. Bob Harig, jornalista especializado em golfe, destacou nas redes sociais: “É difícil de acreditar: Scottie Scheffler soma agora 10 voltas consecutivas no US Open sem quebrar o par, desde a ronda final de 2023 em LACC.” Este número não só evidencia o desafio único que o US Open tem sido para Scheffler, como também sublinha uma falha muito específica numa carreira que, de resto, tem sido brilhante.

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Os resultados recentes de Scheffler neste major mostram um padrão: segundo classificado em 2022, terceiro em 2023, um dececionante 41.º lugar em Pinehurst no ano passado (com voltas de 71-74-71-72) e, em 2025, um 7.º lugar em Oakmont (73-71-70-70). A última vez que quebrou o par foi em 2023, e desde então, cada ronda tem sido um teste à sua resiliência.

No arranque deste US Open, o percurso de Scheffler foi tudo menos tranquilo. O norte-americano acumulou um duplo bogey no buraco 8, bogeys nos buracos 4 e 6, mas ainda conseguiu quatro birdies na segunda metade do campo. Contudo, voltaria a tropeçar com mais bogeys nos buracos 13 e 15, além de outro duplo bogey no 16, terminando empatado na 43.ª posição após os primeiros 18 buracos. No final, não escondeu as dificuldades sentidas: “Hoje, pareceu um daqueles dias em que muitos bons shots acabavam por ser penalizados. Tinhas de bater um shot realmente excelente para não seres castigado. Se me tivessem dito, quando estava a olhar para o putt de par no 9 (quando estava 3 acima), que ia acabar com 2 acima, teria aceite na hora. No geral, foi uma boa batalha. Agora, é descansar e ver como o campo muda nos próximos dias”, afirmou Scheffler.

Apesar de liderar o PGA Tour em Greens in Regulation com 71,99%, Scheffler ocupa apenas o 128.º posto em Proximidade à Bandeira, com uma média de 11,7 metros. Ou seja, até acerta os greens, mas raramente coloca a bola em zonas favoráveis para birdie — um problema ampliado num US Open, onde as oportunidades de baixar o score são escassas e cada centímetro conta. Como referiu Wyndham Clark, “é um pesadelo nos greens”, e começar cada buraco a 12 metros da bandeira em superfícies rápidas e firmes equivale quase a falhar o green.

No entanto, não se pode dizer que Scheffler esteja em má forma este ano. O norte-americano venceu o American Express, foi segundo no Masters, repetiu o segundo lugar no Cadillac Championship e voltou a ser vice-campeão no RBC Heritage. Em 2026, não ficou fora do top 24 em nenhum torneio, um registo que atesta a sua consistência ao mais alto nível.

Ainda assim, muitos recusam-se a dar Scheffler como derrotado. Rich Lerner, no podcast da Golf Channel com Rex & Lav, resumiu a questão: “Não são os oito shots que me interessam. É o número de jogadores entre ele e a liderança que me preocupa nesta fase. Mas ainda não chegámos a um quarto do torneio, por isso não acho que seja altura de dizer que Scheffler está fora disto. Acho que ele pode virar o jogo; seja o que for, ele e o Randy Smith estão a trabalhar nisso.” Lerner destacou ainda a capacidade de Scheffler para mudar radicalmente de postura de um dia para o outro: “Ainda acredito que há um interruptor a ser ligado quando se trata do Scottie Scheffler”, insistiu.

O US Open não está a expor um jogador fora de forma, mas sim a revelar uma lacuna cirúrgica: a dificuldade de Scheffler em converter bons greens em oportunidades de birdie, precisamente onde este major é mais impiedoso. Apesar de nunca ter colocado a conquista do Grand Slam como objetivo assumido, o US Open transformou-se no troféu que mais o persegue. O desafio agora passa por conseguir, finalmente, quebrar este ciclo negativo já na segunda volta e relançar-se na corrida ao único major que lhe falta.

O próximo capítulo joga-se já amanhã e a pressão aumenta: conseguirá Scottie Scheffler ultrapassar este bloqueio psicológico e técnico, ou continuará o US Open a ser o seu “calcanhar de Aquiles”? Uma coisa é certa: os holofotes estarão todos apontados para ele, com a expectativa de que um dos maiores talentos do golfe mundial consiga, enfim, dar a volta por cima num torneio que teima em não lhe sorrir.

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