Joaquin Niemann acaba de entrar para a história do golfe mundial pelos piores motivos, ao ser o primeiro jogador penalizado com duas pancadas por “conduta gravemente imprópria” num major — mas respondeu de forma brilhante com uma das melhores voltas do torneio. O chileno, actualmente com 27 anos e a competir pelo LIV Golf, recuperou de um escândalo disciplinar sem precedentes para assinar um impressionante 65 (-5) na segunda volta do U.S. Open em Shinnecock Hills, garantindo assim a passagem ao fim-de-semana.
O incidente ocorreu na quinta-feira, durante a primeira volta, quando Niemann, visivelmente frustrado após sucessivas pancadas desastrosas no sexto buraco, atirou o seu taco de areia a cerca de 50 metros, logo após ter pontapeado uma bandeira branca de marcação. Este acto de descontrolo, presenciado por vários voluntários e pelo público, valeu-lhe uma penalização inédita de duas pancadas ao abrigo da nova Regra 1.2b, aplicada pela primeira vez num major para punir comportamentos antidesportivos. O jogador só foi informado da decisão após entregar o cartão, tendo terminado a ronda inicial com um desastroso 78 (+8), incluindo um inacreditável 11 nesse buraco.

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A importância deste episódio vai muito além da penalização individual: trata-se de um sinal claro de que as autoridades do golfe estão a endurecer a aplicação das regras de conduta, mesmo em provas históricas como o U.S. Open. A decisão, tomada pela comissão de regras após análise detalhada, pretende servir de exemplo e travar atitudes que possam manchar a imagem do desporto. Para Niemann, o episódio poderá marcar um antes e depois na sua carreira, não só pela mancha disciplinar, mas também pela forma como conseguiu dar a volta por cima imediatamente a seguir.
Nas declarações após a segunda volta, Niemann não escondeu o desconforto com o castigo. “Sim, foi um comportamento errado da minha parte”, admitiu o chileno na sexta-feira, referindo-se ao arremesso do taco. “Senti que fui um pouco mais penalizado do que esperava com esta penalização de duas pancadas, mas é o que é. Acho que vou aprender com isto. De certa forma, até me ajudou a fazer uma volta melhor hoje.” O jogador explicou ainda que a frustração foi crescendo após dois drives consecutivos fora dos limites, seguidos de uma recusa do árbitro em lhe conceder alívio por causa de formigas de fogo, e que não conseguiu controlar os nervos: “Toda a frustração que se acumulou dentro de mim e tinha o taco na mão, não consegui resistir a atirá-lo.”
O voluntário Tristan Chang, presente no local, descreveu o momento à imprensa: “Foi um lançamento impressionante”, comentou, referindo-se à distância a que o taco foi lançado. Depois de ser abordado por um árbitro pouco antes da segunda volta, Niemann revelou que desconhecia a nova regra: “Sabia que tinha tido um mau comportamento, mas sinto que toda a gente já teve algum, e nunca dá nada tão grave como uma penalização de duas pancadas, percebem?” Apesar de ter tentado argumentar, a decisão da comissão foi irreversível. Teve apenas 37 minutos para se recompor antes de voltar ao campo e, segundo o próprio, “demorei cerca de 30 minutos a ultrapassar, mais dois minutos a bater umas bolas de saída, dois putts, e fui para o campo”.
A resposta de Niemann foi digna de registo: abriu a segunda volta com dois birdies e fez cinco birdies nos primeiros seis buracos, assinando um dos melhores resultados do dia e tornando-se o primeiro jogador em quase 100 anos a passar o cut num U.S. Open depois de fazer 10 ou pior numa das duas primeiras rondas — feito só igualado por Bill Mehlhorn em 1929. “Estava tudo a funcionar. Bati excelentes saídas,” afirmou o chileno, explicando que abordou a volta com uma mentalidade muito agressiva, o que acabou por dar frutos.
O que se segue para Niemann é um teste decisivo: terá de provar que a recuperação não foi apenas um impulso emocional, mas o início de uma nova postura competitiva e disciplinada. O impacto desta penalização poderá servir de alerta para todos os profissionais, numa altura em que o golfe procura equilibrar espectáculo e integridade. O chileno entra agora no fim-de-semana do U.S. Open sob todos os holofotes, determinado a transformar o erro numa oportunidade de redenção e, quem sabe, surpreender ainda mais num dos torneios mais exigentes do mundo.
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