Conchita Martinez revela impacto da psicóloga no sucesso de Mirra Andreeva

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Mirra Andreeva surpreendeu o mundo do ténis ao conquistar o título de Roland Garros, tornando-se na terceira mulher mais jovem deste século a vencer um Grand Slam. Com apenas 19 anos, a tenista russa derrotou Maja Chwalinska na final, travando o conto de fadas da polaca com uma vitória sólida em dois sets. O triunfo, histórico e arrasador, deixou o circuito feminino em alerta para o potencial da nova campeã, cuja ascensão meteórica tem tanto de talento como de trabalho mental fora do comum para a sua idade.

A final decorreu em Paris, com Andreeva a dominar do início ao fim, fechando o encontro sem ceder um único set. Este foi o terceiro título da época para a jovem russa, que já havia vencido o Adelaide International frente a Victoria Mboko e, mais tarde, superado Anastasia Potapova no Linz Open. A consistência apresentada nos grandes palcos é ainda reforçada pela presença na final do Madrid Open, onde só foi travada por Marta Kostyuk. No entanto, o que está realmente a chamar a atenção não são apenas os resultados em court, mas sim a transformação mental e emocional protagonizada por Andreeva desde 2024, um processo detalhado pela sua treinadora, Conchita Martinez.

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O impacto desta vitória vai além da simples conquista de um troféu. Andreeva não só entra na história do ténis feminino, como também se afirma como uma das principais ameaças nos próximos torneios do Grand Slam. A sua maturidade, aliada à explosão técnica e física, coloca imediatamente a jovem russa no radar das favoritas para Wimbledon e para o resto da temporada. Esta ascensão relâmpago é ainda mais relevante tendo em conta o domínio recente de nomes como Iga Swiatek, Aryna Sabalenka e Elena Rybakina, que agora vêem surgir uma nova rival capaz de perturbar o status quo.

Conchita Martinez, campeã de Wimbledon em 1994 e uma das vozes mais respeitadas no circuito, revelou numa entrevista à Bolshoi Tennis que a chave para o sucesso de Andreeva reside na aposta no trabalho psicológico. Segundo Martinez, “Vi muita ansiedade e outras coisas que não deviam estar ali. Quando tens 17 ou 18 anos, devias estar a desfrutar do jogo e a focar-te em como melhorar. Vi áreas que precisavam de trabalho do ponto de vista mental. Tivemos uma conversa no dia seguinte. Ela perguntou-me sobre a minha própria experiência porque eu também trabalhei com um psicólogo durante a minha carreira”. A treinadora espanhola destacou ainda a abertura de Andreeva para evoluir: “Disse-lhe que achava que ela beneficiaria muito de trabalhar com um psicólogo. Demorou um pouco mais do que esperávamos a encontrar a pessoa certa, mas eventualmente conseguimos. Ela está a trabalhar com o psicólogo há cerca de um ano e meio. Trabalhamos muito próximas. Falo frequentemente com o psicólogo sobre o que estão a trabalhar, porque estou quase sempre ao lado da Mirra”. Estas palavras reforçam a ideia de que, ao contrário de outros atletas, Andreeva está genuinamente empenhada no seu desenvolvimento mental, algo que pode fazer toda a diferença no ténis de alta competição.

O impacto do apoio psicológico ficou evidente após a dura eliminação na primeira ronda de Wimbledon em 2024, frente a Brenda Fruhvirtova. Martinez reparou na quebra emocional da sua pupila após esse desaire, reconhecendo que era necessário trabalhar a ansiedade para garantir que Andreeva pudesse desfrutar do jogo e libertar todo o seu potencial. A aposta resultou numa jogadora mais confiante, capaz de lidar com a pressão dos grandes palcos, como ficou demonstrado no recente triunfo em Roland Garros.

No entanto, o mundo do ténis mantém-se cauteloso quanto ao favoritismo de Andreeva para Wimbledon. Rennae Stubbs, antiga treinadora de Serena Williams, afirmou que não coloca a jovem russa entre as três principais favoritas ao título no All England Club: “Não vou descartá-la em nenhuma superfície e, dependendo de quem estiver nas fases finais de um torneio, Mirra Andreeva agora é campeã de Grand Slam, sabe que o pode fazer. Mas, no top três, não tenho a certeza, porque coloco Sabalenka, Rybakina e até Pegula à frente dela”. Rybakina, campeã em Wimbledon em 2022, e Sabalenka, vencedora do Australian Open, são vistas como as principais candidatas, enquanto Pegula chega embalada pelos títulos em Dubai e Charleston este ano.

Com o início do torneio de Wimbledon agendado para 29 de Junho e Iga Swiatek a defender o título, todas as atenções estarão sobre Andreeva para perceber se conseguirá transferir o domínio da terra batida para a relva. A jovem russa, agora com o estatuto de campeã de Grand Slam, não só ganhou um novo estatuto no circuito mundial, como elevou as expectativas em torno da sua carreira. Resta saber se conseguirá manter o foco mental e a consistência que a trouxeram até aqui, enfrentando agora a pressão de ser caça e não caçadora, num palco onde a história e a tradição se impõem. As próximas semanas prometem emoções fortes e, com Mirra Andreeva em destaque, o ténis feminino ganhou uma nova protagonista para o futuro imediato.

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