Collin Morikawa voltou a surpreender o mundo do golfe com uma exibição impressionante em Shinnecock Hills, conseguindo um notável 65 sem bogeys numa sexta-feira que, à primeira vista, parecia isenta de problemas. No entanto, a verdade é bem diferente: o norte-americano continua a lutar com as consequências de uma lesão nas costas que quase arruinou a sua época há apenas três meses, mas que, até ver, tem conseguido manter sob controlo – ainda que com limitações evidentes.
Na sequência de um início titubeante com uma volta de 73, Morikawa respondeu à altura e somou sete birdies e dois bogeys, colocando-se dois abaixo do par ao fim de 36 buracos. Este desempenho permitiu-lhe afastar-se da linha de corte e relançar as suas aspirações no US Open, mas o golfista não escondeu as dificuldades físicas que enfrenta. Em declarações à imprensa após a segunda volta, Morikawa foi taxativo: “Sim, ainda está um pouco desconfortável”, admitiu, revelando que as limitações continuam a marcar o seu jogo. “Estou a bater melhor na bola. A semana passada foi fundamental para mim. Senti que fiz progressos depois disso. Tirei algum tempo para estar com o bebé. Não consigo bater todos os shots que quero. Normalmente, com vento da direita para a esquerda e um ferro, cortava a bola, sabia como ela ia rodar, era só jogar esse shot. Agora não consigo cortá-la tanto quanto gostaria.”

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A lesão, recorde-se, remonta a março, quando um swing de aquecimento no THE PLAYERS Championship terminou de forma abrupta com Morikawa a abandonar o campo com espasmos nas costas. Não houve qualquer sinal de alarme durante o aquecimento, mas a ressonância magnética viria a confirmar que não existiam danos estruturais – o problema era funcional e a recuperação revelou-se penosa. Morikawa acabou por falhar alguns torneios e regressou para competir no Masters, onde, surpreendentemente, foi sétimo classificado apesar de estar longe da plenitude física.
O desafio passou rapidamente da dor para a confiança. Em Augusta, Morikawa explicou que, apesar das dores nas costas terem abrandado, outras partes do corpo teimavam em não funcionar como desejava. Falou abertamente sobre o receio de se magoar de novo a meio do swing, um medo que nunca tinha sentido num major e que o acompanhou até Maio. No PGA Championship, confessou ainda não confiar totalmente no corpo e, já em Shinnecock, confirmou: “Não consigo cortá-la como quero. Ainda não.”
Apesar disso, Morikawa garantiu que as condições do campo lhe permitiram contornar algumas das suas limitações. “Felizmente, os greens estão suficientemente macios neste momento, por isso não preciso de bater aquele shot alto com muito spin, mas consigo fazer o suficiente. Acho que hoje provei a mim próprio que tenho as ferramentas necessárias para jogar bem”, afirmou com satisfação, antes de acrescentar: “Felizmente, estou a mexer-me um pouco melhor. Com o driver, estou a conseguir um pouco mais de distância. Não sinto que tenho de jogar a bola demasiado baixa. Mas não consigo fazer aquele lançamento alto que, nalguns buracos, gostava de poder libertar.”
A progressão tem sido cautelosa, mas os sinais são encorajadores. Sete birdies e zero bogeys numa das voltas mais exigentes do calendário são prova disso. O segredo, admite o próprio, tem passado por não tentar dominar o campo fisicamente, mas sim por jogar de forma inteligente, recorrendo ao jogo curto e evitando forçar swings arriscados. “Estou a tentar jogar de forma inteligente, sem arriscar demasiado”, explicou.
É importante recordar que Morikawa iniciou o ano com uma vitória no AT&T Pebble Beach Pro-Am, quebrando um longo jejum de triunfos. Seguiram-se top-10 no Genesis Invitational e no Arnold Palmer Invitational, até que as costas o obrigaram a repensar a época. Desde então, o calendário foi ajustado para privilegiar a gestão física, em detrimento da caça aos troféus.
Apesar de continuar “um pouco desconfortável”, como o próprio admite, Morikawa demonstrou em Shinnecock Hills que consegue competir ao mais alto nível mesmo longe da sua melhor forma física. O sábado será decisivo para perceber se a recuperação se manterá e se o norte-americano poderá realmente lutar pelo título ou se as dores voltarão a condicionar o seu jogo. Para já, Morikawa volta a ser um nome a ter em conta no US Open, com uma resiliência que está a captar todas as atenções do universo do golfe. Os próximos dias prometem emoções fortes e um teste final à capacidade de superação do antigo campeão.
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