Marrocos apoia Achraf Hakimi após vaias e confirmação de julgamento

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Assobios ensurdecedores vindos das bancadas escocesas não abalaram Achraf Hakimi, que, apesar de estar envolto numa acusação de violação e de ter sido recentemente informado pela justiça francesa de que vai mesmo a julgamento, brilhou dentro das quatro linhas e conduziu Marrocos a uma vitória por 1-0 sobre a Escócia no apuramento para o Mundial 2026. O seleccionador marroquino, Mohamed Ouahbi, não deixou margem para dúvidas: todo o grupo está solidário e fechado em torno do capitão, numa altura em que a pressão mediática e judicial ameaça destabilizar o balneário.

O encontro decorreu no emblemático Boston Stadium, onde cada toque de Hakimi na bola era acompanhado por uma onda de assobios vindos dos adeptos escoceses, conhecidos como Tartan Army. O internacional marroquino, que milita no Paris Saint-Germain e nega categoricamente qualquer envolvimento no crime de que é acusado, viu o Tribunal de Recurso de Versalhes confirmar a decisão de o levar a julgamento por alegada violação, na sequência de uma denúncia apresentada por uma jovem de 24 anos, alegadamente ocorrida em Março de 2023, nos arredores de Paris.

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Este caso tem dominado a actualidade desportiva e judicial europeia, colocando Hakimi no epicentro de uma tempestade mediática. Para Marrocos, o impacto é profundo: o capitão é uma peça-chave e a sua eventual ausência pode comprometer as aspirações da selecção no Mundial. Mas, para já, Ouahbi prefere virar o foco para dentro e valorizar a resiliência do grupo. “Viram o jogo? Suponho que sim. O Hakimi foi extraordinário, por isso estamos muito relaxados, ele está muito relaxado e acredito que jogou muito bem”, sublinhou o seleccionador, em declarações no final do jogo, garantindo que a equipa está “completamente atrás dele”.

Hakimi utilizou as redes sociais para manifestar a sua frustração face ao processo judicial, afirmando sentir-se “um alvo fácil”. Apesar do ambiente hostil criado pelos adeptos escoceses, respondeu dentro de campo, pedindo aos marroquinos nas bancadas que levantassem a voz e transformassem cada canto num momento de apoio ensurdecedor. “Fez um bom trabalho, porque falar da gestão? Acordou de manhã, comeu como todos, estava focado, jogou como todos, quis jogar com força e foi isso que fez”, acrescentou Ouahbi, reforçando a normalidade e o profissionalismo do lateral-direito.

O treinador fez ainda questão de destacar a dimensão nacional do apoio ao jogador: “Não temos de dizer nada — estamos atrás dele, está muito relaxado e espero que mostre que é o melhor lateral do mundo. Isto é importante para mim, para os jogadores e para os 44 milhões de marroquinos que nos acompanham.”

Do outro lado da barricada, Rachel-Flore Pardo, advogada da alegada vítima, reagiu à decisão do tribunal com palavras contundentes: a sua cliente sentiu “alívio e esperança” após mais de três anos de litígio, mas não poupou críticas à defesa de Hakimi, acusando-os de “difamação e de a arrastarem pela lama”.

Com o julgamento prestes a avançar, o futuro de Hakimi permanece envolto em incerteza. No imediato, a federação marroquina terá de gerir o equilíbrio entre proteger um dos seus maiores activos desportivos e não ignorar a gravidade das acusações. Em termos desportivos, o foco continuará no apuramento para o Mundial, mas cada deslocação, cada jogo e cada aparição pública do capitão será inevitavelmente acompanhada por escrutínio e polémica.

O desfecho deste caso terá implicações não só para a carreira de Hakimi, mas para a reputação da selecção marroquina e para a forma como o futebol internacional lida com situações de justiça criminal envolvendo as suas maiores estrelas. Para já, Marrocos consegue manter-se unido e eficaz dentro de campo, mas a verdadeira prova de fogo ainda está para vir, tanto nos tribunais como nos relvados do mundo inteiro.

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