Nem a ausência de Christian Pulisic, a estrela maior norte-americana, arrefeceu o ímpeto de uma selecção dos Estados Unidos que não só confirmou a passagem à fase seguinte do Mundial 2026, como aniquilou por completo a esperança australiana num Estádio de Seattle ao rubro. Com um futebol autoritário e pragmático, a equipa de Mauricio Pochettino demonstrou que está definitivamente entre as candidatas a surpreender na competição.
Sem Pulisic, afastado devido a lesão, os norte-americanos apresentaram-se com um plano tático ousado, desenhado por Pochettino, apostando num esquema 3x1x6 de clara vocação ofensiva. Do outro lado, Tony Popovic respondeu com uma muralha de cinco defesas, tentando conter a avalanche adversária. Apesar de um aviso inicial dos socceroos logo ao primeiro minuto, quando Mohamed Touré obrigou Matt Freese a uma intervenção atenta, o controlo do jogo pertenceu sempre aos anfitriões. Aos dez minutos, Folarin Balogun protagonizou uma arrancada explosiva e, no desenrolar da jogada, Cameron Burgess desviou inadvertidamente a bola para a própria baliza, inaugurando o marcador com um autogolo que deixou a Austrália completamente desnorteada.

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A superioridade dos Estados Unidos foi evidente durante toda a primeira parte. Alex Freeman, em dose dupla, mostrou-se decisivo: primeiro ao travar um ataque perigoso dos australianos com um corte providencial na sua área, depois, aos 43 minutos, a coroar uma excelente jogada colectiva com um golo de cabeça na sequência de um remate desviado de Sergiño Dest. O VAR ainda manteve a incerteza no ar, mas a validação do 2-0 antes do intervalo deixou o Estádio de Seattle em delírio e os cangurus à beira do precipício.
O início da segunda parte trouxe alterações na equipa australiana, com Nestory Irankunda a entrar para tentar mudar o rumo dos acontecimentos. No entanto, a circulação de bola dos Estados Unidos foi sufocante e a Austrália raramente conseguiu criar perigo. Só Metcalfe, aos 65 minutos, conseguiu testar novamente Matt Freese, mas sem consequências para o resultado. Folarin Balogun ainda desperdiçou uma oportunidade clara para aumentar a vantagem, isolado por Malik Tillman, mas a vitória já não fugiria aos norte-americanos.
Esta exibição cimenta a transformação operada por Mauricio Pochettino desde a humilhação da Copa América 2024. Em menos de dois anos, o treinador argentino revolucionou o futebol norte-americano, conseguindo não só garantir a qualificação para a fase a eliminar do Mundial, como aproximar-se de um feito histórico: basta que a Turquia não vença o Paraguai para os EUA assegurarem o primeiro lugar do grupo, algo que não acontecia desde 1930, data da edição inaugural da prova. Além disso, os Estados Unidos conseguiram vencer dois jogos consecutivos em Mundiais, feito inédito há quase cem anos.
No rescaldo da partida, Pochettino não escondeu o orgulho nos seus jogadores, destacando a capacidade de resposta perante a ausência da principal referência ofensiva: “Sabíamos que seria um desafio enorme, mas esta equipa mostrou maturidade e uma vontade imensa de vencer, independentemente de quem está em campo. O grupo está unido e preparado para qualquer adversidade”, afirmou o técnico na conferência de imprensa após o apito final.
Alex Freeman, eleito o homem do jogo, também partilhou a sua satisfação: “Foi especial marcar num Mundial, ainda para mais num jogo tão importante. O segredo está na nossa união e na preparação cuidadosa de todos os detalhes. Queremos continuar a fazer história”, disse o jovem defesa, que actua no Villarreal.
Olhando para o futuro, os Estados Unidos apresentam-se agora como uma das selecções mais organizadas e perigosas da prova, mesmo sem a sua estrela maior. A confiança está em alta e a dinâmica colectiva promete continuar a causar dificuldades aos adversários. Se a Turquia não vencer o Paraguai, os norte-americanos garantirão o topo do grupo e um emparelhamento teoricamente mais favorável na fase a eliminar, aumentando as expectativas de uma campanha memorável para o futebol dos Estados Unidos. Por seu lado, a Austrália sai com a moral em baixo e poucas perspetivas de recuperação, após uma exibição sem chama e sem soluções para travar o rolo compressor americano.
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