Um golo-relâmpago, uma expulsão insólita e uma fortaleza defensiva que fez ruir as aspirações turcas ao Mundial: foi assim que o Paraguai carimbou a eliminação da Turquia, num encontro marcado por emoção, polémica e uma lição de sobrevivência a jogar com menos um durante toda a segunda parte. O golo mais rápido deste Mundial, da autoria de Galarza, ficou para a história e lançou a equipa sul-americana para uma vitória sofrida, mas absolutamente decisiva.
O embate entre Paraguai e Turquia, disputado esta sexta-feira, era um autêntico tudo ou nada para ambas as selecções, depois das derrotas inaugurais na primeira jornada. Bastavam escassos 64 segundos para Matias Galarza abrir o marcador e inscrever o seu nome nos anais do torneio, superando o anterior recorde de Saibari (Marrocos) por uns simbólicos 5 segundos. O golo surgiu na sequência de uma pressão altíssima, obrigando a defesa turca a perder a bola em zona proibida, e Galarza, com um remate seco e colocado, não perdoou perante a passividade do guarda-redes rival.

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A partir desse momento, o Paraguai definiu a sua estratégia: bloco baixo, linhas compactas e aposta declarada no contra-ataque. A Turquia, empurrada para a frente pela necessidade de inverter o resultado, encontrou sempre um muro intransponível pela frente. A melhor ocasião surgiu apenas aos 35 minutos – um livre cobrado por Çalhanoglu encontrou a cabeça de Muldur, mas a bola teimou em beijar a barra e, no ressalto, o poste, deixando a equipa turca em desespero.
O verdadeiro golpe de teatro chegou antes do intervalo. Miguel Almirón, uma das principais figuras paraguaias, foi expulso com vermelho directo em circunstâncias caricatas: após uma falta sobre Patty, Almirón tapou a boca ao dirigir palavras a Akgun, comportamento agora punido pelas novas regras disciplinares da FIFA. A decisão do árbitro deixou a formação sul-americana reduzida a dez elementos para toda a segunda parte, aumentando a pressão sobre o conjunto de Galarza.
No reatamento, a Turquia intensificou a ofensiva, mas faltava-lhe engenho e clarividência para desmontar a teia defensiva paraguaia. Deniz Gul, avançado do FC Porto, entrou com vontade de resolver e teve nos pés (e na cabeça) o empate aos 62 minutos, mas Gill, guarda-redes do Paraguai, respondeu com uma defesa segura. O domínio territorial turco era evidente, mas as oportunidades claras escasseavam, obrigando a equipa a tentar a sorte em remates de longe, quase sempre inofensivos.
O desespero turco atingiu o auge nos minutos finais. Aos 89 minutos, uma dupla ocasião quase resultou no empate, mas Gill voltou a afirmar-se com uma defesa providencial, antes de ver Gul rematar para fora – ainda que em posição irregular. Já nos descontos, Demiral teve nos pés a última esperança, mas o resultado não se alterou, consumando a eliminação turca e a festa sul-americana.
No final do encontro, o seleccionador turco não escondeu a frustração perante a falta de eficácia: “Fizemos tudo para marcar, mas o Paraguai defendeu de forma impecável. Falhámos em momentos decisivos e saímos com um sabor muito amargo”, lamentou, visivelmente abatido. Matias Galarza, o herói do encontro, destacou a coragem da sua equipa: “Jogámos quase uma parte inteira com menos um, mas nunca deixámos de acreditar. Este grupo é guerreiro e está pronto para tudo”, afirmou no final da partida.
Este resultado relança as contas do Grupo F, com Paraguai e Austrália empatados com três pontos cada, e a definição do apuramento para os oitavos de final reservada para o último jogo entre ambos. Para a Turquia, resta cumprir calendário diante dos Estados Unidos, num duelo onde apenas o orgulho estará em causa, depois de uma campanha marcada por desacertos ofensivos e uma eliminação precoce que deverá motivar mudanças profundas no plantel e na abordagem da selecção.
A vitória paraguaia, conseguida nas condições mais adversas, demonstra a fibra competitiva dos sul-americanos e coloca-os na rota dos grandes candidatos a surpreender nesta edição do Campeonato do Mundo. A expectativa cresce para o duelo frente à Austrália, onde estará em jogo não só a passagem à fase seguinte, mas também a afirmação definitiva de uma equipa que já provou ser capaz de resistir à adversidade e escrever a sua própria história.
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