Deschamps alerta França para risco de excesso de confiança frente ao Iraque

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Didier Deschamps lançou um autêntico alerta vermelho ao balneário francês, deixando claro que qualquer desleixo frente ao Iraque pode custar caro e hipotecar o sonho de conquistar o Mundial. Depois de uma estreia convincente ao vencer o Senegal por 3-1, a França prepara-se para defrontar o adversário que, à primeira vista, parece ser o mais “acessível” do Grupo I. Mas o selecionador gaulês não quer ouvir falar em facilidades e fez questão de puxar as orelhas aos seus jogadores antes do embate de segunda-feira em Filadélfia.

A pressão está ao rubro entre os campeões do mundo de 2018, que sabem que uma vitória pode garantir praticamente o apuramento para a próxima fase. No entanto, Deschamps não se cansa de repetir que subestimar o Iraque seria um erro crasso. O técnico francês dirigiu-se ao plantel num discurso transmitido pela federação, em que deixou claro: “Não os considerem nas vossas cabeças como uma equipa pequena, porque não é o caso.” O aviso surge depois de vários episódios recentes em que grandes selecções caíram perante adversários teoricamente mais fracos, o que só aumenta a tensão e obriga os gauleses a manterem a guarda levantada.

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O contexto não podia ser mais claro: a França, líder do grupo após a primeira jornada, enfrenta agora uma selecção iraquiana que ocupa o 60.º lugar no ranking FIFA, mas que tem mostrado capacidade para surpreender. Os franceses querem evitar repetir os erros de seleções como a Alemanha ou a Argentina em edições passadas, onde o excesso de confiança resultou em eliminações prematuras. “Conhecem a Bolívia? Boa equipa sul-americana… Eles foram ganhar ao México por 2-1 [no torneio de qualificação]. Conhecem a Espanha? Sim, foi um jogo de preparação, mas mesmo assim empataram 1-1”, recordou Deschamps, usando exemplos concretos para ilustrar o perigo de menosprezar o adversário.

Esta chamada de atenção do selecionador francês não é apenas um aviso à navegação, mas sim uma tentativa de blindar o grupo contra qualquer tipo de complacência. O próprio Deschamps fez questão de analisar o recente percurso do Iraque, sublinhando o facto de, no jogo inaugural deste Mundial frente à Noruega, os iraquianos terem estado a perder apenas por 2-1 aos 75 minutos, acabando por sofrer mais dois golos já perto do fim. “No primeiro jogo contra a Noruega, que é uma boa equipa, aos 75 minutos, eles estavam a perder por 2-1. Depois, sofreram mais dois golos no final [resultado final de 4-1 para os noruegueses]”, explicou o técnico, reforçando a ideia de que o Iraque consegue manter-se competitivo durante largos períodos do encontro.

Mas Deschamps foi ainda mais longe, frisando que a mentalidade será absolutamente decisiva nesta fase da competição. “Nenhum de vocês deve pensar que vai ser fácil só porque somos a seleção francesa”, atirou o selecionador, visivelmente determinado a incutir nos seus jogadores a importância de não vacilar. E acrescentou, com a experiência de quem já viu de tudo nos grandes palcos: “Outras equipas grandes, que jogaram contra equipas mais fracas que o Iraque, podem ter pensado assim. Pensaram que, mais cedo ou mais tarde, fariam a diferença. E não a fizeram. Não quero que isso nos aconteça.”

No final do discurso, Deschamps traçou ainda o perfil do adversário, detalhando os pontos fortes dos asiáticos: “Uma equipa aplicada que faz as coisas simples, um 4-4-2 com dois gigantes na frente (Hussein e Al-Hamadi), jogadores bastante técnicos e com capacidade de resposta.” O treinador francês deixou claro que o Iraque tem armas para causar estragos a qualquer defesa desatenta, reforçando assim a necessidade de máxima concentração e respeito.

A França sabe que, caso vença, fica em excelente posição para garantir a passagem aos oitavos-de-final e manter intactas as aspirações ao título. No entanto, qualquer deslize frente ao Iraque pode complicar as contas e lançar a incerteza no grupo, pelo que o discurso de Deschamps surge no momento certo para travar euforia e recentrar o foco. O encontro de segunda-feira promete, assim, ser um verdadeiro teste à maturidade e humildade da selecção francesa, que não quer ver o seu nome associado a mais uma surpresa mundialista. O próximo passo passa por garantir uma exibição consistente e sem sobressaltos, afastando de vez o espectro de um desaire histórico.

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