Rúben Amorim não perdeu tempo e já está a impor a sua marca no AC Milan, assumindo um papel central não só no comando técnico, mas também nas decisões estratégicas do clube. Numa reviravolta inesperada, os rossoneri recusaram-se a contratar novos directores e optaram por promover figuras internas para cargos-chave, numa estrutura que promete abalar as fundações do gigante italiano.
Depois de semanas de especulação e de abordagens a vários nomes sonantes para reforçar a direcção desportiva, o Milan decidiu fechar a porta a caras novas e apostar nos sobreviventes do recente “abate” directivo. Hendrik Almstadt, ex-Arsenal e Aston Villa, passa agora a director de operações de mercado, enquanto Bobby Gardiner assume o cargo de director de inteligência futebolística, com o chefe de scouting Donato Lomonte sob sua alçada. Ambos já integravam o clube desde 2019. Na liderança executiva, Massimo Calvelli, antigo quadro da ATP, é confirmado como CEO permanente, coadjuvado por David Castelbianco, enviado especial da RedBird. Esta decisão foi avançada pela Mediaset e confirmada por várias fontes próximas do clube.

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A entrada de Amorim representa uma mudança de paradigma. O treinador português, que chega com um estatuto acima do habitual para um técnico, já começou a contactar jogadores-chave para garantir que permanecem em Milão. Segundo adiantou a La Gazzetta dello Sport, Amorim telefonou a Mike Maignan e Adrien Rabiot, tentando convencê-los a não forçarem uma saída. O treinador quer blindar o balneário e garantir que as pedras basilares do plantel se mantêm. De acordo com Fabrizio Romano, Amorim pretende ainda segurar Ardon Jashari e Yunus Musah, dois jovens com margem de progressão. Por outro lado, Ruben Loftus-Cheek estará de saída, numa remodelação que promete novidades nos próximos dias.
Este novo modelo de gestão é visto como um verdadeiro teste de fogo à capacidade de liderança e de adaptação do Milan. Ao abdicar de reforçar a estrutura com nomes de peso e ao concentrar poder em Amorim, Gerry Cardinale e Zlatan Ibrahimovic, o clube arrisca uma abordagem inédita no futebol moderno. Para muitos, trata-se de uma solução transitória, enquanto se aguarda a possível chegada de Markus Krosche no próximo ano. No entanto, esta estratégia pode resolver o problema crónico de excesso de decisores no comando do clube, simplificando a cadeia de comando e dando maior autonomia ao treinador.
Nas palavras de um dirigente do Milan, citado após o anúncio da nova estrutura, “Acreditamos que esta solução nos dará maior estabilidade e rapidez de resposta. Amorim tem uma visão clara e queremos que tenha os meios para a implementar.” Rúben Amorim, por seu lado, já deixou claro em privado que quer um plantel comprometido: “Não quero jogadores a olhar para fora antes de darem tudo cá dentro”, terá dito aos mais próximos, reforçando o espírito de grupo que pretende incutir.
O futuro do Milan está, assim, nas mãos de um trio improvável: Cardinale, Ibrahimovic e Amorim. Os dois primeiros ainda não se destacaram por uma visão futebolística apurada, e resta saber se Amorim conseguirá impor-se perante figuras tão mediáticas. Para já, o treinador português tem carta branca para reformular o plantel e a estrutura técnica, mas a pressão sobre resultados será brutal. Caso a aposta fracasse, será difícil evitar nova revolução directiva no Verão de 2027.
O próximo passo passa por fechar as permanências dos jogadores-chave e atacar o mercado de transferências com critério. O Milan sabe que não pode falhar e que a margem de erro é mínima. Amorim tem nas mãos a oportunidade de ouro para provar que pode ser o cérebro por detrás do renascimento de um colosso adormecido. Tudo indica que as próximas semanas serão decisivas para o futuro imediato do clube, com os adeptos a aguardar ansiosamente por sinais de que o novo modelo pode, finalmente, devolver o Milan ao topo do futebol europeu.
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